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Dólar abaixo de R$5,30 pode voltar a atrair posições contrárias ao real, diz AZ Quest

02/09/2020 13h48

SÃO PAULO (Reuters) - O sentimento com relação ao real melhorou recentemente, ajudado pelo exterior e por sinais benignos do governo sobre austeridade fiscal, mas um dólar abaixo de 5,30 reais pode voltar a estimular posições negativas na moeda brasileira, disse Bernardo Zerbini, um dos responsáveis pela estratégia da gestão macro da gestora AZ Quest.

"A apreciação do real é limitada. (Com um dólar) abaixo de 5,30 reais o mercado começa a repensar sobre comprar dólar de novo, por causa do carry baixo, do juro real negativo ou zero... Isso tudo joga contra a moeda (brasileira)", afirmou Zerbini, que diz por ora estar zerado em posição "seca" (direcional) em real, mas vendido na moeda dentro de uma cesta de divisas emergentes, num trade que serve como hedge para posições compradas em bolsa norte-americana.

Ele ponderou que a recente melhora do câmbio também está ligada a um movimento global depois da mudança do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) em sua abordagem para a política monetária.

"O atual cenário estimula quem está comprado (em dólar) a reduzir essa posição ou quem está zerado ficar vendido", completou.

Em termos nominais, o real aprecia 4,5% desde que bateu uma mínima em três meses, de 5,6124 por dólar, em 26 de agosto. A moeda era cotada a 5,3689 por dólar nesta quarta.

Na renda fixa, Zerbini acredita que o processo de queda da Selic está em um "movimento final" e que, por isso, a estratégia agora está mais para "compressão de prêmio" (à espera de redução dos prêmios de risco da curva de juros) do que de "apreciação de capital" (quando se espera ganhar com quedas da Selic).

A AZ Quest acredita que a Selic fica no atual patamar de 2% por um período de 16 meses, 18 meses. Com isso, a expectativa é que as taxas de DI janeiro 2022 e janeiro 2023 caiam cerca de 100 pontos-base ao longo dos próximos meses, considerando manutenção das agendas fiscal e de reformas.

Os DIs janeiro 2022 e janeiro 2023 estão em 2,82% e 4,00%, respectivamente, muito acima do CDI, atualmente em 1,90%.

"Não achamos que o governo vai escolher o precipício (fiscal)", disse Zerbini. Contudo, ele ainda vê riscos sobre as contas públicas e de crescimento econômico limitando o apelo pela curva longa de juros.

(Por José de Castro)