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Dólar passa a cair contra real após dados dos EUA; fiscal e reformas locais seguem em foco

02/09/2020 09h10

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a recuar contra o real nesta quarta-feira, deixando para trás os ganhos registrados no início do pregão, após a divulgação de dados sobre o emprego nos Estados Unidos, enquanto os investidores seguiam atentos à agenda de reformas e à saúde fiscal do Brasil.

Às 10:32, o dólar recuava 0,10%, a 5,3795 reais na venda. A moeda norte-americana caiu 0,72% na mínima do dia, a 5,3460 reais na venda, depois de ter chegado a subir 0,87% na máxima, a 5,4318.

O contrato mais líquido de dólar futuro caía 0,62%, a 5,3705 reais.

Segundo Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, a virada na direção da moeda foi impulsionada pelo Relatório Nacional de Emprego da ADP, que mostrou que a criação de vagas no setor privado dos Estados Unidos ficou abaixo do esperado em agosto, em 428 mil.

"Nos EUA, é bom ficar de olho numa nova rodada de negociações de estímulo. O ADP mostra a necessidade de encontrar um denominador comum entre republicanos e democratas de forma a acelerar a economia e estimular a recuperação do mercado de trabalho", disse Carvalho, comentando que, se um novo pacote fiscal for alcançado, os mercados possivelmente apresentarão uma nova onda de otimismo.

Em agosto, os investidores internacionais ficaram atentos nas negociações entre a Casa Branca e parlamentares norte-americanos sobre a renovação de um pacote de auxílio econômico de combate às consequências do coronavírus, mas divergências sobre o valor do estímulo e termos sobre o financiamento eleitoral frustraram as expectativas de um acordo.

Enquanto isso, no cenário local, o foco continuava nos sinais benignos do governo com relação à agenda de reformas e de equilíbrio fiscal, questões que estiveram rodeadas de incertezas nas últimas semanas.

O dólar negociado no mercado interbancário fechou a última sessão em baixa de 1,75%, a 5,385 reais na venda -- menor patamar desde 13 de agosto -- depois que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o texto da reforma administrativa será enviado ao Congresso na quinta-feira, depois de sucessivos adiamentos e muita resistência por parte do próprio presidente.

Além disso, na véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes fez discurso em que citou expectativas de uma retomada econômica e discutiu a agenda de reformas, fornecendo alívio aos ativos brasileiros.

"Foram importantes sinalizações do governo", disse Lucas Carvalho, dizendo que a retomada da agenda reformista seria motivo de impulso para o apetite dos investidores, apesar da permanência de dúvidas sobre o cenário fiscal e o financiamento de projetos de auxílio do governo, como o Renda Brasil.

Em nota, a Infinity Asset disse que, "apesar de dizer o que o mercado gosta de ouvir, os investidores já cobram a realidade dos fatos, a qual é muitas vezes interpelada pela realidade das travas políticas. Portanto, por mais alinhado com o mercado que esteja o discurso de Guedes, ele precisa se converter em realidade."

Nesta quarta-feira, o Banco Central fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em março e julho de 2021.

Sobre a intervenção do BC nos mercados de câmbio -- que se mostrou forte em agosto diante de uma disparada do dólar que deixou o real atrasado em relação a pares emergentes -- Carvalho disse que, "quando o Banco Central julga necessário, ele intervém; são ações pontuais, quando há descolamento muito grande do Brasil em relação a moedas de outros países emergentes."