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Argentina reestrutura US$41,7 bilhões em títulos de dívida local

Sede do Ministério da Economia da Argentina, em Buenos Aires; país renegocia dívidas em meio à pandemia - Enrique Marcarian
Sede do Ministério da Economia da Argentina, em Buenos Aires; país renegocia dívidas em meio à pandemia Imagem: Enrique Marcarian

Eliana Raszewski e Walter Bianchi

04/09/2020 19h10

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina informou que reestruturou com sucesso mais de 40 bilhões de dólares (cerca de R$ 211 bilhões, segundo a cotação do dia) em dívida em moeda estrangeira emitida sob a legislação local nesta sexta-feira. O valor se soma a sua recente reestruturação de 65 bilhões de dólares em títulos internacionais (343 bilhões).

A reestruturação de quase 99% da dívida local elegível, levando o montante total reestruturado a mais de 100 bilhões de dólares (R$ 528 bilhões) no espaço de uma semana, ocorreu em dia em que muitos dos títulos soberanos internacionais da Argentina foram negociados pela última vez antes de novos instrumentos tomarem seu lugar na próxima semana.

Os papéis, incluindo o notório "bond do século", com vencimento em 2117, estavam sob os holofotes desde meados do ano passado, quando a Argentina capitulou sob uma severa crise econômica que a deixou impossibilitada de manter os pagamentos e a levou ao default.

Depois de meses de tensas negociações, o governo peronista de centro-esquerda do país chegou a um acordo definitivo com os credores no início de agosto, o que levou à reestruturação de quase todos os seus títulos internacionais elegíveis.

Nesta sexta-feira, o ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, afirmou que o país também renovou 98,8% de cerca de 41,7 bilhões de dólares (R$ 220,3 bilhões) em títulos sob legislação local denominados em moeda estrangeira.

"O encargo da dívida foi totalmente eliminado no horizonte", disse Guzmán em uma entrevista coletiva após os resultados.

A Argentina emitirá novos títulos externos e locais, incluindo 12 novos bônus internacionais que vencem entre 2029 e 2046, e devem começar a ser negociados a partir de segunda-feira.

"Hoje, quando os novos títulos forem estabelecidos, os anteriores desaparecerão", disse Roberto Geretto, economista do Banco CMF em Buenos Aires.