PUBLICIDADE
IPCA
0,24 Ago.2020
Topo

Dólar abandona mínimas acompanhando exterior, mas ainda caminha para 2ª queda semanal

04/09/2020 09h17

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar deixou para trás as quedas de mais cedo e oscilava perto da estabilidade ante o real nesta sexta-feira, chegando a operar em leve alta no fim da manhã, à medida que dados norte-americanos sobre emprego impulsionavam a moeda norte-americana no exterior, mas a moeda ainda caminhava para fechar sua segunda semana em queda, depois de uma melhora nas perspectivas sobre a agenda de reformas doméstica.

Às 12h37, o dólar tinha variação positiva de 0,05%, a 5,2933 reais na venda. Mais cedo, na mínima do dia, a moeda norte-americana havia caído 0,81%, a 5,2475 reais na venda, que seria o menor patamar para um fechamento desde 31 de julho, quando a cotação terminou a 5,2185 reais.

Na B3, o dólar futuro tinha oscilação positiva de 0,04%, a 5,2980 reais, depois de cair a 5,2510 reais, menor patamar intradiário para o primeiro vencimento desde 5 de agosto (5,2380 reais).

Segundo Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, "esse movimento de reversão está acompanhando a alta do dólar lá fora depois dos dados norte-americanos sobre emprego."

Os Estados Unidos criaram 1,371 milhão de vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, resultado próximo às expectativas dos mercados, depois que dados de quarta-feira mostraram uma leitura fraca na geração de vagas no setor privado.

"A leitura (desta sexta) trouxe um ponto interessante que foi uma queda boa na taxa de desemprego e deu sequência à visão de que mercado de trabalho ainda está em trajetória de recuperação", completou Beyruti. Contra uma cesta das seis principais moedas, o dólar apresentava ganho de 0,4%, afastando-se mais de mínimas em mais de dois anos atingidas no começo da semana.

Apesar da recuperação desta sexta-feira, o dólar ainda caminhava para registrar sua segunda perda semanal consecutiva em relação ao real, caindo cerca de 2,1% desde o fechamento da última sexta-feira.

O governo do presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Congresso na quinta-feira sua Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa, medida que animou o mercado de câmbio local na véspera depois de meses de incertezas políticas e fiscais.

O dólar à vista fechou a última sessão em baixa de 1,27%, a 5,2906 reais na venda, menor patamar para um término de sessão desde 4 de agosto.

"O simples fato de a reforma ser apresentada este ano representa uma surpresa agradável, já que o presidente Bolsonaro tinha admitido em junho que a apresentação só aconteceria em 2021", escreveu o time econômico da Guide.

"(...)Mas ainda há muitas batalhas a serem travadas. Enquanto isso, o risco fiscal segue escancarado, e o mercado funcionando em torno dele", completaram os especialistas.

Além do alívio sobre a agenda de reformas, Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos, citou um possível movimento de correção no real, após fortes perdas acumuladas no ano, como fator para a recuperação da divisa nas últimas sessões.

"O real segue com uma das moedas mais desvalorizadas em 2020. Às vezes o movimento é uma correção do exagero", comentou, destacando que mesmo outros países que também sofreram com incertezas econômicas em meio à pandemia não viram tamanha magnitude de depreciação cambial.

No ano de 2020, a divisa norte-americana ainda sobe cerca de 32% contra o real.

Nesta sexta-feira, o Banco Central vendeu 1 mil contratos de swap cambial tradicional para março de 2021 e 9 mil para julho de 2021, ante oferta total de 12 mil ativos em operação de rolagem.