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EXCLUSIVO-Softbank cria joint venture com rede hoteleira OYO para América Latina

04/09/2020 20h33

Por Carolina Mandl e Aditi Shah e Anirban Sen

SÃO PAULO/NOVA DÉLHI/BANGALORE (Reuters) - O Softbank Group está assumindo um papel mais direto na gestão da rede hoteleira Oyo na América Latina por meio de uma joint venture que controlará todos os hotéis da região.

O Softbank, que tem fatia de 46% na rede hoteleira, usará parte de seu fundo de 5 bilhões de dólares na América Latina para investir na empresa recém-formada, chamada Oyo Latam, que assumirá mil hotéis no Brasil e no México, disse Henrique Weaver, chefe das operações da OYO Brasil, em entrevista nesta sexta-feira.

Weaver disse que ambas as empresas terão representação igual no conselho, formado por seis integrantes, mas não disse quanto a Softbank investirá.

A mudança ocorre no momento em que a Oyo, avaliada em 10 bilhões de dólares em sua rodada de captação mais recente, foi forçada a cortar custos e controlar sua estratégia de expansão nos mercados globais, depois que as receitas foram afetadas pela pandemia do coronavírus.

Isso indica a determinação do investidor japonês em assegurar que a cadeia hoteleira indiana continue nos trilhos e é o mais recente sinal da SoftBank está gerenciando mais de perto as operações da Oyo em mercados como China, Índia e Japão, disseram três fontes familiarizadas com o assunto.

A Softbank teve grandes baixas em apostas que incluíram a empresa de escritórios compartilhados WeWork e quer evitar um destino semelhante com a Oyo, na qual investiu mais de 1 bilhão de dólares, disse uma das fontes familiarizadas com os planos do Softbank.

Um porta-voz da Oyo disse que o Softbank é como qualquer investidor na empresa com assento no conselho e que a Oyo é "uma empresa com administração própria e dirigida por um conselho". "Qualquer descrição de que Oyo está sendo administrado, ou há qualquer 'supervisão adicional' (formal ou informal) ou de outra forma, é apenas especulação da mídia e completamente falsa", disse o porta-voz.

O SoftBank disse que seu fundo começou a parceria com a OYO na América Latina em 2019, e que recentemente o investimento foi formalizado com a criação da OYO Latam e de um conselho.

O fundo Latam da Softbank investiu 75 milhões de dólares nos negócios da Oyo na região, disse uma fonte a par do assunto.

DOR PANDÊMICA

"A América Latina tem se mostrado uma boa opção para a Oyo, com um ritmo de crescimento super rápido porque o mercado hoteleiro é extremamente fragmentado na região", disse Weaver.

Mas a pandemia obrigou a empresa a demitir 500 funcionários no Brasil em abril, deixando-a com uma equipe de 140 pessoas, disse Weaver. Ela também devolveu escritórios e reduziu despesas operacionais. A Oyo já demitiu centenas de funcionários nos Estados Unidos e na Europa e fechou escritórios em outros paises. Na Índia e na China, começou a cortar custos e funcionários já em janeiro.

ENIGMA CHINÊS

A Oyo se comprometeu a investir mais de 600 milhões de dólares na China, mas nos últimos meses a empresa viu um êxodo de executivos e uma redução da sua presença, ao mesmo tempo em que lutava contra processos judiciais movidos por parceiros de hotéis e fornecedores pelo não pagamento de taxas.

As ações judiciais resultaram no congelamento de algumas das contas bancárias da Oyo na China, mas a empresa disse que esse é um processo padrão e não significa que seja culpada.

"Estamos defendendo vigorosamente essas alegações em tribunal, incluindo disputas sobre as taxas e reclamações", disse o porta-voz da Oyo.

A Oyo tem 1.200 funcionários na China, ante um pico de mais de seis mil. O encolhimento da Oyo na China pode custar caro no futuro, já que os investidores elevaram a avaliação da empresa para 10 bilhões de dólares, em grande parte devido ao potencial e ao tamanho de sua aposta no país.

"Na China, apertamos o botão de reset e estamos garantindo que teremos um núcleo lucrativo de negócio antes de expandirmos rapidamente", disse o porta-voz.

(Reportagem adicional de Sophie Yu em Pequim, Kane Wu em Hong Kong e redação de Xangai)