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Após 4 meses como interino, general Pazuello deverá ser efetivado como ministro da Saúde

14/09/2020 21h00

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, deverá ser efetivado na quarta-feira como titular da pasta, informou a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência nesta segunda, após um período de interinidade de quatro meses no qual explodiram os casos de Covid-19 no país.

"Há previsão de posse na quarta-feira. Sem maiores detalhes até o momento. Avisaremos oportunamente", disse a Secom em resposta por e-mail a questionamento da Reuters sobre a eventual efetivação do general.

Pazuello assumiu o cargo interinamente em 15 de maio após o então titular, Nelson Teich, pedir demissão com menos de um mês no cargo por não concordar com a ampliação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento do Covid-19.

Os medicamentos tem no presidente Jair Bolsonaro um dos seus principais defensores. Ele próprio, que contraiu Covid-19 em julho, usou a hidroxicloroquina.

Antes de Teich, ocupava o ministério Luiz Henrique Mandetta, que foi demitido por Bolsonaro em meados de abril, após uma série de desentendimentos sobre a condução da crise do coronavírus, como uso da cloroquina e medidas de distanciamento social.

Pazuello --alinhado com Bolsonaro-- estabeleceu um novo protocolo com uso ampliado da cloroquina e atuou como uma espécie de gestor de recursos e demandas de Estados e municípios na pandemia. Na prática, o general retirou o governo federal da linha de frente e coordenação do combate ao novo coronavírus.

Essa mudança de perfil na atuação da crise, entretanto, não levou a um arrefecimento do novo coronavírus no país. Ao contrário, o vírus se disseminou por todo o Brasil que, em dados desta segunda, possui 132.006 mortes --o segundo maior do mundo, atrás dos Estados Unidos-- e 4.354.610 casos, em terceiro no mundo, atrás dos EUA e da Índia.

Quando Pazuello assumiu o cargo interinamente, o Brasil tinha um total de 218.223 casos e 14.817 mortes de Covid-19. Na ocasião, o país era o sexto país do mundo em número absoluto de casos, atrás de Estados Unidos, Rússia, Espanha, Reino Unido e Itália.