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Fed mantém política monetária inalterada enquanto Biden chega mais perto da vitória eleitoral

Banco Central dos EUA mantém política monetária inalterada em meio a incertezas eleitorais - Por Howard Schneider e Ann Saphir
Banco Central dos EUA mantém política monetária inalterada em meio a incertezas eleitorais Imagem: Por Howard Schneider e Ann Saphir

05/11/2020 16h16

Por Howard Schneider e Ann Saphir

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve manteve sua política monetária de afrouxamento intacta nesta quinta-feira e se comprometeu novamente a fazer o que puder nos próximos meses para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia e por incertezas em meio a uma eleição presidencial ainda indefinida.

Os resultados da votação de terça-feira ainda estavam sendo apurados em alguns Estados-chave, embora o candidato democrata à presidência, Joe Biden, estivesse perto dos 270 votos mínimos necessários para vencer a Casa Branca.

O Fed, banco central dos EUA, não comentou sobre a eleição em seu comunicado de decisão de política monetária divulgado após reunião de dois dias.

Em entrevista coletiva após a divulgação do comunicado, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a economia dos EUA agora está se recuperando mais lentamente depois de ser impulsionada no início do ano por ajuda fiscal e pela reabertura de algumas empresas.

"A recuperação geral nos gastos das famílias deve-se em parte aos pagamentos de estímulo e aos benefícios de desemprego ampliados, que forneceram apoio essencial a muitas famílias e indivíduos", disse Powell a repórteres.

Ele também disse que o recente aumento nas infecções por coronavírus nos Estados Unidos e no exterior é "particularmente preocupante", e afirmou que o distanciamento social e máscaras são necessários para ajudar a conter o vírus e apoiar a economia.

“Uma recuperação econômica total é improvável até que as pessoas estejam confiantes de que é seguro se engajar novamente em uma ampla gama de atividades”, disse Powell.

Em um comunicado praticamente idêntico ao emitido na reunião de setembro, o Fed repetiu sua promessa de usar seu "amplo conjunto de ferramentas" para sustentar a economia e prometeu não considerar o aumento das taxas de juros até que o emprego máximo fosse recuperado e a inflação estivesse acima de sua meta de 2%.

"A atividade econômica e o emprego continuaram a se recuperar, mas permanecem bem abaixo de seus níveis no início do ano", disse o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do banco central em uma decisão unânime, que deixou a principal taxa de juros do banco central inalterada, próxima de zero. "A pandemia da Covid-19 está causando enormes dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e em todo o mundo."

O Fed disse que por enquanto continuará comprando "ao menos" 120 bilhões de dólares por mês em títulos do governo, e usará suas outras ferramentas e programas conforme necessário dependendo de como a economia evolui.

RISCOS À RECUPERAÇÃO

O relatório de emprego nos EUA para outubro, a ser divulgado pelo Departamento do Trabalho na sexta-feira, dará a visão mais atualizada sobre a rapidez com que a economia está levando os milhões de desempregados pela pandemia de volta ao trabalho.

Mas, além disso, o Fed vai estar agora aguardando para ver se o presidente republicano Donald Trump permanece no cargo ou se o democrata Joe Biden assume o controle da Casa Branca, e o que cada cenário pode significar em termos de gastos adicionais do governo para ajudar os que estão sem trabalho.

"Os riscos para a recuperação econômica aumentaram desde a última reunião do Fed em setembro, com aumento dos casos de coronavírus, crescimento mais lento do emprego, falta de novos estímulos para consumidores e pequenas empresas e agora uma eleição presidencial não resolvida", disse Greg McBride, analista financeiro chefe do Bankrate, por email.

"O Fed fez o que pode fazer neste momento, apesar de dizer que ainda tem uma gama de ferramentas disponíveis."