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Investidores apostam em emergentes após eleição nos EUA e avanços em vacina

11/11/2020 17h33

Por Marc Jones e Tom Arnold

LONDRES (Reuters) - Vários importantes bancos e fundos de investimento estão aumentando posições em ativos de mercados emergentes, em um duplo aumento de confiança após a derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos e novos avanços sobre uma vacina contra o coronavírus nesta semana.

Com as economias mais pobres --que dependem de recursos naturais, manufatura barata ou turismo-- devendo se beneficiar de uma recuperação no comércio global e no segmento de viagens, bem como de uma Casa Branca mais previsível, a mensagem do Morgan Stanley nesta quarta-feira foi simplesmente "Tem que Comprar Tudo de Mercados Emergentes!".

Suas grandes apostas são nas divisas de China, México, Brasil, África do Sul, Colômbia e Rússia e em uma lista mais longa de dívida em moeda forte, que vai desde os títulos soberanos da Ucrânia, associados ao crescimento, até a estatal petroleira mexicana Pemex.

"Vemos uma boa chance de que o rali possa se estender até o primeiro trimestre de 2021, com bastante liquidez (dinheiro do investidor) à margem para encontrar seu caminho para ativos de risco agora com a reduzida incerteza", disse James Lord do Morgan Stanley.

Analistas de outro grande banco de investimento, o Citi, também se tornaram notavelmente mais otimistas.

Eles esperam que a rupia indonésia e o baht tailandês tenham um desempenho particularmente bom, à medida que investidores caminham de volta a economias dominadas pelo comércio e turismo.

"Embora a concretização real da receita do turismo ainda possa estar a meses de distância, luz no fim do túnel e redução das preocupações com os protestos em andamento" colocarão o baht a caminho de 30 por dólar, escreveu Dirk Willer, do Citi.

O turismo contribuiu com mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da Tailândia em 2019, uma das maiores participações mundiais, de acordo com dados do Banco Mundial.

O Citi também está apostando em títulos locais mexicanos e colombianos. O banco, como outros, vê a América Latina se beneficiando ao máximo com uma vacina bem-sucedida e já ficou com posição de "duration acima da média do mercado" na região após as eleições nos EUA.

"As notícias acerca das vacinas fornecem um impulso extra, simplesmente melhorando a perspectiva de crescimento global e especialmente a demanda --incluindo commodities-- das economias avançadas", escreveu Christian Keller, do Barclays, acrescentando que os mercados emergentes seriam "um vencedor" das eleições dos EUA.

OTIMISTAS NO MERCADO CHINÊS

Não são apenas a vacina e as esperanças vindas da política dos EUA que estão alimentando o frenesi.

O Société Générale e o Citi mudaram de negativa para positiva a avaliação sobre a lira turca nesta quarta-feira, depois que o presidente turco, Tayyip Erdogan, prometeu grandes mudanças políticas após ter destituído dos cargos o presidente do banco central e o ministro das Finanças.

"Ao longo desta semana, evidências foram se acumulando rapidamente de que a Turquia está ávida de executar uma mudança dramática na formulação de políticas voltando para um arcabouço mais ortodoxo", disse Phoenix Kalen, do Société Générale.

Os mercados emergentes têm desfrutado de fluxos constantes nos últimos meses, depois que investidores retiraram cerca de 100 bilhões de dólares no início da primavera no Hemisfério Norte, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Há também o tradicional apelo dos mercados emergentes por causa das taxas de juros mais altas, em um momento em que muitas economias mais ricas agora têm taxas virtualmente nulas ou negativas.

"O que estamos mais comprando é dívida emergente, especialmente na Ásia, incluindo a China, onde estamos obtendo taxas reais significativamente mais altas do que no mundo ocidental", disse Didier Saint-Georges, membro do Comitê de Investimento Estratégico da gestora de ativos Carmignac, em Paris.

O chefe de estratégia para mercados emergentes do UBS, Manik Narain, estima que o prêmio oferecido pelos títulos chineses agora, descontando a inflação, em comparação aos títulos dos EUA é o maior em pelo menos uma década.

Esse "diferencial de yield", como é conhecido, é um dos motivos pelos quais ele espera que a moeda do país, o iuan, continue subindo.

"Um grande tema agora é até que ponto o PBoC (Banco do Povo da China) permitirá que o renminbi se fortaleça", disse Narain. "Não está longe de voltar ao 6,4 (por dólar) em que estava no início de 2018, quando Trump começou a focar a China."

(Reportagem adicional de Sujata Rao e Karin Strohecker em Londres)