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Mourão prevê diálogo sem problemas com Biden, apesar de Brasil ainda não ter reconhecido presidente eleito

30/11/2020 18h46

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Apesar de o governo brasileiro não ter reconhecido oficialmente até o momento a vitória de Joe Biden na eleição de 3 novembro nos Estados Unidos, o vice-presidente Hamilton Mourão se referiu ao democrata como "futuro presidente" e previu que será possível estabelecer um diálogo "sem maiores problemas" com o norte-americano.

Em entrevista nesta segunda-feira na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde foram divulgados os dado anuais de desmatamento, Mourão foi mais uma vez questionado sobre as declarações de Biden sobre a Amazônia e a ameaça de sanções ao Brasil pelo aumento do desmatamento.

O vice-presidente reconheceu que esse possivelmente será um dos primeiros temas a ser levantado pelo novo governo norte-americano, mas disse acreditar que isso se dará em fóruns internacionais existentes.

"Não tenho dúvida que as relações serão mantidas em alto nível e temas como a questão ambiental serão discutidas dentro dos fóruns existentes e que farão parte com certeza das primeiras discussões que serão travadas", disse Mourão, ressaltando que a relação entre os dois países é de "Estado para Estado".

"Vamos lembrar que o futuro presidente aí conhece nosso país, já foi vice-presidente, fez várias visitas ao Brasil. Então é uma pessoa que em algum momento poderemos estabelecer um diálogo sem maiores problemas", afirmou.

O governo brasileiro é um dos únicos países que até o momento não reconheceu oficialmente a vitória de Biden, apesar de praticamente os Estados --inclusive aqueles em que o presidente Donald Trump questionava o resultado-- estarem certificado a vitória do democrata. Nem o presidente Jair Bolsonaro e nem o Itamaraty cumprimentaram Biden ou admitiram a vitória.

Ao contrário, no domingo, ao votar no Rio de Janeiro, Bolsonaro chegou a dizer que "ouviu de fontes" que teria havido "muita fraude" na eleição norte-americana, repetindo as alegações, sem evidências, de Donald Trump sobre fraudes no pleito.