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Ibovespa atinge maior série de ganhos semanais no ano e mira 114 mil pontos

04/12/2020 18h48

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, completando a quinta semana consecutiva de valorização e quase zerando a perda no ano, em meio ao entusiasmo com notícias do processo de vacinação contra a Covid-19.

A aprovação do uso da vacina da Pfizer/BioNTech pelo Reino Unido, assim planos de imunização em outros países, voltou os holofotes para órgãos reguladores de Estados Unidos e Europa. Nos EUA, a expectativa está em torno de uma reunião da Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) prevista para o próximo dia 10.

O chefe da Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), Stephen Hahn, disse à Reuters nesta sexta-feira que é realista acreditar que 20 milhões de norte-americanos serão vacinados contra o coronavírus até o final deste ano.

Ele não quis dar um cronograma específico sobre a aprovação da vacina da Pfizer/BioNTech, mas acrescentou que a agência reguladora agirá "muito rapidamente", depois que o comitê de aconselhamento se reunir na próxima quinta-feira.

Nos pregões em Nova York, a semana foi de recordes, mesmo com dados econômicos fracos e recorde de casos de Covid-19, que ficaram em segundo plano diante da expectativa de um desenlace positivo nas negociações sobre mais estímulos fiscais.

Um plano bipartidário de ajuda ao coronavírus de 908 bilhões de dólares ganhou impulso no Congresso nesta semana, após um impasse de meses entre republicanos e democratas sobre o tamanho do pacote potencial.

Nesse contexto, a bolsa brasileira continuou registrando entrada líquida de capital externo, que nos primeiros pregões de dezembro alcançou 1,45 bilhão de reais. O saldo negativo no ano, porém, continua negativo, em 50,1 bilhões de reais.

Uma rotação nos portfólios para ações de valor e cíclicas, com maior peso no Ibovespa, como bancos e papéis de commodities como Vale e Petrobras, em detrimento de ações de crescimento, também é apontada como componente dos ganhos recentes.

Apenas no mês passado, o Ibovespa subiu 15,9%, no melhor resultado para novembro desde 1999.

Para o diretor de operações da Mirae Asset, Pablo Spyer, além da entrada de estrangeiros na bolsa, a emissão bem-sucedida do Tesouro Nacional nesta semana mostra que investidores no exterior estão atentos ao país.

O governo brasileiro levantou 2,5 bilhões de dólares com a reabertura de títulos de 5 anos (Global 2025), 10 anos (Global 2030) e 30 anos (Global 2050), com redução do prêmio nas três tranches.

"O Brasil está definitivamente em um lugar de destaque no radar dos investidores", afirmou.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou com acréscimo de 1,3%, a 113.750,22 pontos, maior patamar de fechamento desde 20 de fevereiro, com alta de 2,87% na semana e de 4,46% no mês.

Foi a quinta semana consecutiva de alta, com o acréscimo no período chegando a 21,07%, na maior série de ganhos semanais completa do Ibovespa em 2020.

No ano, o declínio agora alcança apenas 1,64%. Apesar de ainda precisar de um fôlego para voltar a encostar em 120 mil pontos, como em janeiro, os quase 60 mil pontos registrados no pior momento em março já parecem distantes.

Maiores baixas do Ibovespa no dia

Maiores altas do Ibovespa no dia

O índice Small Caps subiu 0,39%, a 2.749,03 pontos, com elevação de 3,03% na semana e de 4,72% no mês, mas baixa de 3,24% no acumulado de 2020.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 31,6 bilhões de reais.

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DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS:

- EMBRAER ON sobe 15,68% na esteira das perspectivas para o setor aéreo, em particular novas tendências após a pandemia que podem beneficiar a fabricante de aviões, como a busca por aeronaves menores e de consumo mais eficiente de combustível. No ano, a ação ainda recua 52,5%, reflexo dos efeitos da Covid-19 e do fracasso do acordo com a Boeing.

- GOL PN valoriza-se 15%, dando continuidade à recuperação de novembro, na esteira de notícias positivas sobre vacinas. Na quinta-feira, a companhia reportou nova alta na demanda em novembro na comparação mensal, enquanto declínio no ano segue forte. No mesmo contexto, CVC BRASIL ON sobe 12,67% e AZUL PN avança 10,47%.

- PETRORIO ON avança 11,18%, mantendo o ritmo de novembro, após comprar fatias da britânica BP em dois blocos no pré-sal, em uma rara transação na região altamente produtiva, por 100 milhões de dólares, o que tornará a companhia brasileira operadora dos ativos.

- SUZANO ON perde 6,55%, com os primeiros pregões de dezembro marcados por cotação intradia recorde, seguida por venda de 25 milhões de papéis da fabricante de papel e celulose detidos pelo Votorantim. A correção na ação, que ainda sobe 33,06% em 2020, teve ainda de pano de fundo a queda do dólar ante o real. KLABIN UNIT cede 3,67% no mês, mas ainda se valoriza 31,38% no ano.

- RD ON perde 4,8%, refletindo o movimento de troca nas carteiras para ações resilientes no período mais duro da pandemia de Covid-19. No ano, papel ainda se valoriza 10,72%.

- CARREFOUR BRASIL ON perde 3,58%, ainda volátil pela repercussão da morte por espancamento de um cliente numa loja da rede em novembro, que desencadeou protestos e medidas internas, incluindo a criação de um fundo contra racismo. Apesar de ter se recuperado das mínimas, desde a morte de João Alberto Freitas, a ação acumula queda de 4,4%.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

- Índice financeiro: +5,48%

- Índice de consumo: +2,54%

- Índice de Energia Elétrica: +1,20%

- Índice de materiais básicos: +1,29%

- Índice do setor industrial: +0,45%

- Índice imobiliário: +6,65%

- Índice de utilidade pública: +2%