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Dólar fecha em alta após encostar em R$5,00

14/12/2020 17h08

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrou forte alta contra o real nesta segunda-feira, depois de chegar a ficar muito próximo do patamar de 5 reais mais cedo devido ao otimismo no exterior em torno de mais estímulos nos Estados Unidos e progresso em direção a ampla distribuição de vacinas.

O dólar à vista fechou em alta de 1,57%, a 5,1269 reais na venda, depois de ter caído a 5,0105 reais na mínima do dia, seu menor patamar intradiário desde 12 de junho.

Na B3, onde as negociações vão até as 18h, o principal contrato de dólar futuro operava em alta de 1,07%, a 5,120 reais.

Alguns analistas disseram que a virada no comportamento da moeda em relação às mínimas do pregão não refletiu uma mudança significativa no cenário desta manhã, atribuindo o movimento a um ajuste.

"Há pontos de realização. Quando a moeda encosta em 5 reais é natural que haja um movimento de compra", disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital, acrescentando que o mês de dezembro deve contar com volatilidade, devido a mudanças na liquidez e reajuste de posições.

Ainda assim, ele enxerga uma clara tendência de queda do dólar no médio prazo, abaixo do patamar de 5 reais.

Também citado por alguns especialistas como fator para a recuperação do dólar neste pregão, o cenário fiscal continuava dominando o radar dos investidores em meio a temores de que o governo fure seu teto de gastos em 2021 de forma a financiar mais medidas de assistência social.

Roberto Motta, responsável pela mesa de derivativos da Genial Investimentos, disse à Reuters que até o final do ano o mercado vai conviver com ruídos em relação ao auxílio emergencial do governo, diante de temores de que ele seja prorrogado e prejudique a saúde das contas públicas.

Em meio à persistente incerteza fiscal, com a aproximação do recesso do Legislativo a expectativa é de que várias pautas pendentes, como o Orçamento para 2021 e a reforma tributária, sejam votadas apenas no ano que vem. "Sendo assim, investidores passarão a virada do ano ponderando quando e como o governo pretende retomar o ímpeto da pauta econômica", escreveu o time econômico da Guide Investimentos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu mais uma vez nesta segunda-feira a suspensão do recesso parlamentar de janeiro para votar temas emergenciais.

No exterior, o índice do dólar reduziu suas perdas depois de chegar a tocar uma mínima em mais de 2 anos mais cedo, mais ainda operava em queda de cerca de 0,08%.

A fraqueza da moeda norte-americana --que foi citada como fator responsável pela valorização do real mais cedo--, refletia, entre outros fatores, a expectativa em relação a mais estímulos fiscais e monetários nos Estados Unidos, com o Congresso do país discutindo um novo pacote fiscal de 908 bilhões de dólares para apoiar empresas e desempregados.

Impulsionando o otimismo, os EUA iniciaram no final de semana sua campanha de vacinação contra a Covid-19 com a entrega das primeiras remessas da Pfizer. Uma enfermeira de unidade de terapia intensiva (UTI) se tornou a primeira norte-americana a receber a vacina nesta segunda-feira.

Em meio a esse "cenário extremamente benigno, o mundo está em claro movimento de rotação" disse Roberto Motta.

"Os investidores estão procurando ativos que têm espaço para performar. O mundo quer risco, e o real tem tudo para aproveitar o ano de 2021" e ir abaixo de 5 reais, completou, alertando, porém, que isso depende da responsabilidade fiscal do Brasil.

O Banco Central fez neste pregão leilão de swap tradicional de até 16 mil contratos com vencimento em abril e setembro de 2021, em que vendeu o total da oferta.

O BC começou a ampliar o volume ofertado em seus leilões de rolagem de swap cambial tradicional no final do mês passado, diante da expectativa de compra bilionária de dólares na virada do ano relacionada ao desmonte do overhedge.