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Fiscal ofusca otimismo global e dólar passa a subir ante real

16/12/2020 09h17

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a avançar contra o real nesta quarta-feira, embora o clima global positivo pressionasse a moeda norte-americana no exterior, enquanto os investidores ficavam à espera do comunicado de política monetária do Federal Reserve e acompanhavam com cautela a saúde das contas públicas brasileiras.

Às 10:25, o dólar avançava 0,47%, a 5,1111 reais na venda, enquanto o dólar futuro de maior liquidez ganhava 0,57%, a 5,1115 reais.

Esse comportamento destoava das oscilações apresentadas pelo dólar no exterior, com o índice da moeda norte-americana caindo 0,2% e peso mexicano e lira turca, pares emergentes do real, operando em alta.

Vários especialistas atribuíam a fraqueza do dólar no exterior a sinais de avanço nas negociações de um novo pacote de auxílio fiscal nos Estados Unidos, depois que líderes do Congresso informaram progresso substancial no final da terça-feira.

Enquanto isso, apoiando o sentimento, a maior economia do mundo juntou-se ao Reino Unido e iniciou a imunização de sua população contra a Covid-19, enquanto, na Europa, autoridades adiantaram a data para convocação de um painel de especialistas para considerar a implementação de uma vacina para 21 de dezembro.

"O clima no exterior está mais positivo em meio às discussões sobre estímulo, notícias sobre vacinas cada vez mais otimistas...", disse à Reuters Paloma Brum, economista da Toro Investimentos. "Mas o Brasil não está conseguindo refletir isso no câmbio, por causa de questões internas."

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avaliou na terça-feira que o governo perdeu o apetite pelo equilíbrio fiscal, e que o ministro da Economia, Paulo Guedes, teve a sua força reduzida dentro do Executivo para conduzir a pauta.

Em meio a incertezas cada vez maiores sobre o sustento das contas públicas, várias autoridades brasileiras e participantes dos mercados financeiros têm expressado descontentamento com o atraso em medidas de controle de gastos e na agenda de reformas estruturais, pautas que foram promessas eleitorais do presidente Jair Bolsonaro.

Na semana passada, a PEC Emergencial, que tem o objetivo de regulamentar o teto de gastos com gatilhos e tratar de temas do pacto federativo, foi adiada para o ano que vem. Enquanto isso, a aproximação do recesso de fim de ano do Legislativo ofusca a perspectiva de aprovação e implementação de outras pautas até o final de 2020.

"Com um risco fiscal mais alto e o governo e o Congresso sem emplacar medidas que garantam que os gastos ficarão sob controle, fica a incerteza nos mercados, com os investidores receosos de fazer investimentos de longo prazo no Brasil", explicou Paloma Brum.

O cenário de fragilidade das contas públicas, assim como o patamar extremamente baixo da taxa Selic, é apontado como um dos principais fatores de impulso para a alta de 27% do dólar frente ao real em 2020.

Ainda no radar dos investidores nesta quarta-feira estava a conclusão da última reunião de política do monetária do Federal Reserve de 2020. O banco central dos EUA deve oferecer seu primeiro vislumbre de como a vacina contra o coronavírus mudou o cenário econômico do país, e se empresas, trabalhadores e famílias precisam de mais ajuda do Fed até que a vacinação e a imunidade estejam difundidas.

Na véspera, o dólar fechou em queda de 0,77%, a 5,0873 reais na venda.

O Banco Central fará nesta quarta-feira leilão de swap tradicional de até 16 mil contratos com vencimento em abril e setembro de 2021.