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Indicada de Biden ao Tesouro, Yellen pede a parlamentares para "agirem grande" sobre estímulo

19/01/2021 13h56

WASHINGTON (Reuters) - Janet Yellen, indicada pelo presidente eleito dos Estados Unidos Joe Biden para chefiar o Tesouro, pediu aos parlamentares nesta terça-feira para "agirem grande" no próximo pacote de alívio ao coronavírus, acrescentando que os benefícios superam os custos de uma dívida maior.

Yellen disse que sua tarefa como chefe do Tesouro será auxiliar os norte-americanos a suportarem os meses finais da pandemia do coronavírus e reconstruir a economia norte-americana "para que crie mais prosperidade para mais pessoas e garanta que os trabalhadores norte-americanos possam competir em uma economia global cada vez mais competitiva".

Biden, que assumirá o cargo na quarta-feira, traçou uma proposta de pacote de estímulo de 1,9 trilhão de dólares na semana passada, afirmando que um investimento ousado é necessário para relançar a economia e acelerar a distribuição de vacinas para colocar o vírus sob controle.

"Nem o presidente eleito, nem eu, propomos este pacote de alívio sem uma avaliação do peso da dívida do país. Mas agora, com as taxas de juros nas mínimas históricas, a coisa mais inteligente que podemos fazer é agir grande", disse Yellen, ex-chair do Federal Reserve, à Comissão de Finanças do Senado.

"Acredito que os benefícios irão superar em muito os custos, especialmente se nos preocupamos em ajudar as pessoas que estão em dificuldade há muito tempo", afirmou.

O pacote de auxílio proposto inclui 415 bilhões de dólares para reforçar a resposta ao vírus e a distribuição das vacinas contra a Covid-19, cerca de 1 trilhão de dólares em alívio direto às famílias e cerca de 440 bilhões de dólares para pequenas empresas e comunidades particularmente atingidas pela pandemia.

Muitos norte-americanos receberiam pagamentos de estímulo de 1.400 dólares, valor acima dos cheques de 600 dólares aprovados no mês passado pelo Congresso em um pacote de alívio à pandemia. O auxílio-desemprego suplementar também aumentaria para 400 dólares semanais, ante os atuais 300 dólares, e seria prorrogado até setembro.

Yellen recebeu o endosso de todos os ex-secretários do Tesouro, de George Schultz a Jack Lew, que solicitaram aos senadores em uma carta que confirmem rapidamente a nomeação de Yellen para que ela possa enfrentar rapidamente "desafios assustadores" da economia.

"Abordar essas questões urgentes exigirá um envolvimento cuidadoso do Departamento do Tesouro. Qualquer lacuna em sua liderança poderia atrasar os esforços de recuperação”, escreveram os ex-secretários.

Uma porta-voz do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que deixa o cargo na quarta-feira, não pôde ser contatada imediatamente para comentar.

Yellen também comentou a posição do Tesouro sobre o dólar, depois de o presidente Donald Trump pedir, de forma frequente, um dólar enfraquecido como forma de impulsionar as exportações norte-americanas.

Os Estados Unidos deveriam se opor às tentativas de outros países de manipular artificialmente os valores de moedas para obter vantagens comerciais, disse ela, acrescentando que ter taxas de câmbio como meta para obter vantagens comerciais é "inaceitável".

Ela disse que a China claramente é o concorrente estratégico mais importante dos Estados Unidos e destacou a determinação do governo Biden em reprimir o que chamou de "práticas abusivas, injustas e ilegais" do país asiático.

Os secretários do Tesouro já haviam afirmado seu compromisso com uma taxa de câmbio determinada pelo mercado e alguns nos últimos anos disseram que um dólar forte é do interesse dos EUA.

(Por David Lawder, Andrea Shalal e David Shepardson)