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Neoenergia investirá R$10 bi em 2021, mas deve ficar fora de privatizações

Energia elétrica, luz, lâmpada - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Energia elétrica, luz, lâmpada Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Luciano Costa

10/02/2021 12h03Atualizada em 10/02/2021 12h37

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, deve ampliar fortemente seus investimentos no Brasil em 2021, para 10 bilhões de reais, mas não prevê disputar leilões de privatização de ativos de energia, disse nesta quarta-feira o presidente da companhia, Mario Ruiz-Tagle.

A afirmação do executivo, em teleconferência com analistas e investidores, veio após questionamento sobre possível interesse da companhia em um leilão de desestatização da distribuidora de energia CEEE-D, controlada pelo governo do Rio Grande do Sul.

"O ano de 2021, para a Neoenergia, é um ano de entrega. O foco nosso é execução dos investimentos, nosso foco é preservar e melhorar a rentabilidade de nossos ativos", afirmou ele, ao revelar que a empresa estima aportes totais de 10 bilhões de reais neste ano, contra 6,3 bilhões em 2020.

"Consequentemente, quero ser muito claro. Não temos previsto participar da (licitação da) distribuidora CEEE e nem outras que possam vir ainda em 2021."

O leilão de desestatização da CEEE-D está agendado para 31 de março, e a Neoenergia era vista como uma das empresas potencialmente interessadas.

A elétrica controlada pela Iberdrola já havia mostrado forte apetite por expansão no Brasil ao fechar em dezembro passado a compra da distribuidora CEB-D, do Distrito Federal, por 2,5 bilhões de reais.

O valor do negócio ficou bem acima do preço mínimo definido pelo governo do Distrito Federal para o leilão da elétrica, de 1,4 bilhão.

Tagle disse que a Neoenergia considera a CEB-D como o melhor ativo dentre distribuidoras privatizadas nos últimos anos ou com perspectiva de desestatização no futuro próximo.

"Era um ativo premium", afirmou ele. "Sem dúvida faremos um excelente trabalho nessa companhia a partir do mês de março, quando esperamos já ter o controle."

O diretor financeiro da Neoenergia, Leonardo Gadelha, disse que a companhia já tem um empréstimo-ponte contratado para pagar a aquisição da CEB-D, no valor de 2,5 bilhões de reais. "Esse valor vai ser desembolsado ainda em fevereiro".