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Dólar recua ante real após votação de autonomia do BC

11/02/2021 09h18

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar apresentava queda contra o real na manhã desta quinta-feira, depois que o projeto que confere autonomia formal ao Banco Central passou pela Câmara e foi encaminhado para sanção presidencial, enquanto os investidores continuavam acompanhando a situação fiscal do Brasil.

A proposta votada na véspera visa garantir à instituição financeira que execute suas tarefas sem risco de interferência político-partidária, e é vista por economistas e outros participantes do mercado como um avanço positivo.

A avaliação é que formalizar em lei uma autonomia que o BC já goza em boa medida na prática aumenta a confiança na autoridade monetária e representa um passo em direção às melhores práticas já adotadas por economias desenvolvidas, segundo especialistas.

Diante desse cenário, às 10:18, o dólar recuava 0,64%, a 5,3373 reais na venda.

Na B3, o dólar futuro caía 0,75%, a 5,3505 reais.

"Praticamente às vésperas de mais um longo período de inatividade dos mercados financeiros em decorrência dos feriados de 'Carnaval', a boa notícia na política é que o Centrão mostrou sua força na Câmara Federal (...) derrotando todas as emendas da oposição", explicou em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

Analistas do Bradesco disseram em nota que a autonomia formal do Banco Central "tende a reduzir volatilidade macroeconômica no médio prazo".

"Avaliamos que o texto aprovado constitui importante avanço institucional, que aprimora o regime de metas de inflação no Brasil e tende a favorecer a diminuição da variância da inflação nos próximos anos."

Vários analistas citavam também esperanças de que esse seja o início da retomada da agenda de reformas do governo, e que pautas vistas como essenciais para a recuperação fiscal e econômica do Brasil possam avançar no Congresso sob as novas presidências da Câmara e do Senado.

Ainda assim, os agentes do mercado seguem de olho nas contas públicas, temendo que a pressão por mais medidas de estímulo econômico para a população vulnerável leve ao desrespeito do teto de gastos do governo em 2021.

"O contraponto à entrega do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), está na enfática defesa que faz a 'excepcionalizar' o pagamento do auxílio emergencial, ao mesmo tempo em que defende o teto dos gastos públicos", opinou Gomes da Silva.

Enquanto isso, no exterior, os investidores acompanhavam o avanço de um pacote de estímulo trilionário nos Estados Unidos, enquanto reagiam à garantia feita pelo chair do Federal Reserve, Jerome Powell, de que a política monetária norte-americana permanecerá expansionista até que o país tenha alcançado pleno emprego.

O índice do dólar contra uma cesta de rivais tinha queda de 0,1% nesta manhã. Divisas emergentes pares do real, como peso mexicano, lira turca e rand sul-africano trabalhavam com fortes altas.

O dólar à vista fechou a última sessão em queda de 0,20% contra a moeda brasileira, a 5,3717 reais na venda.

Nesta quinta-feira, o BC fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em junho e outubro de 2021.