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UBS e Nomura elevam perdas dos bancos com Archegos para mais de US$10 bi

27/04/2021 18h09

Por Brenna Hughes Neghaiwi

ZURIQUE (Reuters) - O UBS revelou uma perda inesperada de 774 milhões de dólares nesta terça-feira, devido ao colapso do fundo norte-americano Archegos, levando o prejuízo de bancos que negociaram com o family office para mais de 10 bilhões de dólares.

A perda do maior banco da Suíça vem no momento em que as consequências da Archegos seguem afetando o setor bancário, com o Nomura divulgando na terça-feira seu maior prejuízo trimestral em mais de uma década, como resultado de suas negociações com a Archegos. O banco japonês disse que registrará perdas de cerca de 2,9 bilhões de dólares por conta do episódio.

O Morgan Stanley perdeu quase 1 bilhão de dólares com a implosão do family office. O Credit Suisse, rival do UBS, foi o mais atingido, com uma baixa de mais de 5 bilhões depois que a Archegos deixou de pagar as chamadas de margem no fim de março.

Maior gestor de fortunas do mundo, o UBS disse que agora está revisando todas as relações com clientes, tanto em sua unidade de corretagem que atende a fundos de hedge, quanto dentro de seu negócio de family office, que administra grandes montantes fortunas de famílias. A empresa também está revisando seus sistemas de gestão de risco.

"Entendo que vocês estão desapontados. Nós também estamos", disse o presidente da UBS, Ralph Hamers, a analistas em uma em uma conferência respondendo a perguntas sobre a perda.

"(A perda da Archegos) destaca o risco inerente em suas atividades de mercado de capitais e apresenta um revés contra sua cultura (da UBS) de aversão ao risco", disse o analista da Moody's, Michael Rohr.

O UBS, que antes havia se recusado a comentar o caso Archegos, disse nesta terça-feira que o impacto da receita em seu negócio de corretagem reduziu o lucro líquido em 434 milhões de dólares no primeiro trimestre.

Ainda assim, o lucro líquido de 1,82 bilhão de dólares no período superou a previsão média de 1,59 bilhão de dólares.

Com uma abordagem cautelosa em relação ao segundo trimestre, o banco disse que espera que os níveis de atividade dos clientes diminuam em relação aos picos observados nos primeiros três meses do ano. Mas isso pode ser parcialmente compensado por um aumento nas taxas recorrentes geradas pela gestão dos investimentos dos clientes, devido à alta nos preços de ativos.