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Exportações de grãos param na Argentina após greve de trabalhadores por vacinas

Trabalhadores portuários cobram vacinas e protocolos mais seguros de prevenção contra a covid-19 nos locais de trabalho - Marcos Brindicci/Reuters
Trabalhadores portuários cobram vacinas e protocolos mais seguros de prevenção contra a covid-19 nos locais de trabalho Imagem: Marcos Brindicci/Reuters

Hugh Bronstein e Walter Bianchi

Em Buenos Aires (Argentina)

19/05/2021 12h22Atualizada em 19/05/2021 12h32

As exportações argentinas de grãos foram paralisadas nesta hoje devido a uma greve de trabalhadores portuários para exigir a inclusão da equipe embarcada como grupo prioritário para vacinação contra a covid-19.

Trabalhadores que preparam navios estão entre os que participam da greve, junto com os capitães de rebocadores e práticos que guiam as embarcações de carga na chegada e saída dos portos, de acordo com um comunicado conjunto.

"Todos os embarques estão parados", disse Guillermo Wade, gerente da CAPyM (Câmara de Atividades Portuárias e Marítimas), à Reuters.

"Pelo menos sete barcos foram carregados ontem em Rosário e estavam prontos para zarpar, mas os sindicatos impediram o processo de desatracação", disse ele.

Wade acrescentou que será difícil para os navios zarparem, mesmo após o término da greve, devido à queda do nível do rio Paraná.

"Esses sete navios, atracados nos portos de Timbues, San Martín e San Lorenzo, estão agora muito pesados para navegar, tendo em vista a profundidade cada vez menor do rio", explicou.

A medida de 48 horas, anunciada pelos sindicatos do setor e que termina na tarde de amanhã, interrompeu a atividade no centro portuário de Rosário, de onde saem cerca de 80% dos produtos agrícolas argentinos.

No comunicado, os trabalhadores cobraram "protocolos de prevenção e atendimento médico em todos os portos do país".

"Em apenas sete dias, perdemos quatro companheiros, o que também mostra um alto nível de infecções dentro de atividades diferentes", acrescentaram.

A Argentina é o maior exportador mundial de óleo e farelo de soja, o terceiro maior para o milho e um grande fornecedor de trigo.

A Argentina registrou um recorde diário de infecções e mortes por covid-19 ontem devido a uma forte segunda onda da pandemia que coloca o país sul-americano entre os cinco com maiores registros diários do mundo, segundo dados compilados pela Reuters.