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CPI da Covid é um vexame nacional, diz Bolsonaro

20/05/2021 21h24

Por Ricardo Brito

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro aproveitou sua live semanal para voltar a atacar a CPI da Covid e os senadores que integram a comissão contrários à atuação do governo federal na gestão da pandemia no país.

"É um circo, agora os interrogadores, os inquisidores, que inclusive são capitaneados pelo senador Renan Calheiros que disse que não vai investigar desvio de recursos", disse.

"O Brasil é o país da hipocrisia, a começar com essa CPI. Tinha vontade de voltar a ser deputado para falar o que eu penso sobre essa CPI. Mas sendo presidente, não pega bem. Em especial falar do relator da CPI. Um vexame. Ele foi, realmente, bem intitulado pelo senador Flávio Bolsonaro na semana passada", reforçou ele, referindo-se à declaração do filho senador, que chamou o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), de "vagabundo".

Bolsonaro disse que a questão sobre o uso da cloroquina --medicamento sem eficácia comprovada que está no centro das investigações da CPI-- já foi resolvida uma vez que há governadores apoiando seu uso. Ele disse também que depoimentos mostraram que não houve negligência do governo na aquisição da vacina da Pfizer contra a Covid-19.

Mas os vídeos divulgados na sessão desta quinta-feira eram do período inicial da pandemia, quando ainda não havia comprovação científica da ineficácia da cloroquina contra a Covid-19.

Mesmo sem eficácia contra a doença, o presidente continua fazendo propaganda do medicamento. Na live desta quinta disse que tomou o remédio há pouco tempo novamente quando não se sentiu bem, antes mesmo de falar com um médico.

"Tomei aquele negócio para combater a malária e eu usei lá atrás, foi mais ou menos em junho, julho, tomei aquele negócio e no dia seguinte estava bom", disse.

"E vou dizer mais: há poucos dias estava sentindo mal e antes mesmo de procurar o médico --olha só que exemplo estou dando-- tomei depois aquele remédio que estava com sintoma, tomei, fiz exame e não estava", emendou ele, ressaltando que agiu dessa forma por "precaução".

Já em relação a aquisição da vacina da Pfizer, a CPI mostrou que o governo chegou a ficar sem responder a propostas feitas pela empresa e que houve demora na busca de uma solução na legislação para suprir eventuais lacunas jurídicas para o fechamento do contrato.

Durante boa parte da pandemia, Bolsonaro desdenhou da necessidade e benefícios das vacinas no combate ao coronavírus, mudando de posição depois que pesquisas de opinião mostraram uma queda de sua popularidade em meio à lentidão na vacinação da população.