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Lula e FHC ensaiam aproximação em almoço e discutem "descaso do governo Bolsonaro"

21/05/2021 11h05

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Depois de trocarem afagos pela imprensa, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso se encontraram para um almoço nesta semana, a convite do ex-ministro Nelson Jobim, que trabalhou em ambos os governos.

O encontro foi revelado por Lula em suas redes sociais, em duas fotos com FHC e Jobim.

"A convite do ex-ministro Nelson Jobim, o ex-presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniram para um almoço com muita democracia no cardápio", disse postagem assinada pelos assessores de Lula.

"Os ex-presidentes tiveram uma longa conversa sobre o Brasil, sobre nossa democracia, e o descaso do governo Bolsonaro no enfrentamento da pandemia."

Nos últimos dias, Lula e FHC já ensaiavam uma reaproximação. Em entrevista ao jornalista Pedro Bial, na TV Globo, FHC afirmou que, nas eleições de 2022, votaria em Lula contra o presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, na disputa do segundo turno entre o petista Fernando Haddad e Bolsonaro, disse o ex-presidente, pela primeira vez ele anulou o voto.

Em sua conta no Twitter, Lula respondeu ao ex-presidente: "Eu gostei da entrevista do FHC. Sempre tivemos uma disputa civilizada. Ele me conhece bem, conhece o Bolsonaro. Fico feliz que ele tenha dito que votaria em mim e eu faria o mesmo se fosse o contrário. Ele sempre foi um intelectual e sabe que não dá pra inventar uma candidatura."

Procurado pela Reuters, o anfitrião do almoço, Nelson Jobim, não quis comentar o encontro. Jobin foi ministro da Justiça de Fernando Henrique e ministro da Defesa de Lula.

"Só um deles ou os dois podem falar sobre o encontro. Eu não posso comentar ou informar, pois o encontro foi deles", disse Jobim, que foi ministro da Justiça no governo FHC e da Defesa no governo Lula.

As assessorias dos ex-presidentes não responderam ao contato da Reuters.

Lula tenta construir uma frente política para enfrentar Bolsonaro em 2022. As últimas pesquisas mostram o ex-presidente com boas chances de derrotar o atual presidente.