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Ibovespa recua 2% e fecha abaixo de 117 mil pontos após Câmara aprovar reforma do IR

02/09/2021 17h41

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, após a Câmara dos Deputados aprovar a reforma do Imposto de Renda, que entre outras medidas estabelece tributação de dividendos e acaba com o mecanismo de juros sobre capital próprio (JCP).

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,28%, a 116.677,08 pontos. O volume financeiro da sessão somou 29,94 bilhões de reais.

Destaques ao projeto, que também reduz o IR a empresas e pessoas físicas, ainda foram votados nesta quinta-feira - incluindo a redução da tributação sobre lucros e dividendos, de 20% para 15%.O texto agora será analisado no Senado.

Para a equipe de estratégia da XP Investimentos, "o fim do JCP e o imposto sobre os dividendos tendem a ser negativos para as empresas e o mercado de capitais, podendo não ser suficientes para compensar o corte nos impostos sobre as sociedades".

A pauta desta quinta-feira ainda mostrou que a indústria brasileira teve em julho queda mais forte do que a esperada, começando o terceiro trimestre abaixo do nível pré-pandemia.

As notícias somam-se a um cenário ainda complicado, que já contempla a tensão político-institucional e a percepção de piora no cenário fiscal, além de uma crise hídrica e seus potenciais reflexos na inflação já elevada e na atividade econômica.

"A bolsa (paulista) está refletindo bastante essas incertezas no cenário local", afirmou a equipe de análise da Ouro Preto Investimentos.

Em Wall Street, Nasdaq e S&P 500 renovaram recordes, embora tenham se afastado das máximas do dia, refletindo uma certa cautela antes do relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos, na sexta-feira.

A B3 também divulgou nesta sessão a terceira e última prévia do Ibovespa que vai vigorar a partir da segunda-feira até o final do ano, confirmando a entrada de sete ações, em um total de 91 ativos de 84 empresas.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN tombou 3,61% e BRADESCO PN caiu 3,52%, dado o potencial efeito negativo do fim do JCP nos resultados dos bancos com as mudanças aprovadas na Câmara, embora analistas avaliem que a redução na alíquota do IR possa compensar tal impacto.

- VIA recuou 6,13%, em sessão negativa para varejistas com atuação no e-commerce. MAGAZINE LUIZA, que cedeu 3,59%, e AMERICANAS ON, que perdeu 4,04%. Em Nova York, MERCADO LIVRE avançou 1,84%.

- ELETROBRAS ON cedeu 4,99%, mais do que devolvendo os ganhos da véspera, quando subiu 2,79% com avanço na direção da privatização da elétrica. O índice do setor elétrico na B3 recuou 1,68%.

- PETROBRAS PN caiu 1,63%, apesar da alta dos preços do petróleo no exterior. A companhia disse mais cedo que avalia os impactos financeiros da mudança na coparticipação no custeio dos planos de saúde dos funcionários, que pode reverter um ganho de 13 bilhões de reais registrado pela companhia.

- VALE ON fechou com decréscimo de 0,31%, com o setor de mineração e siderurgia terminando no vermelho. GERDAU PN recuou 2,7%, mesmo com sinalizações positivas da companhia para o segundo semestre, prevendo estabilidade dos preços para aços no Brasil nos próximos meses.

- ASSAÍ ON avançou 2,99%, após concluir a venda de dois de cinco imóveis dentro de acordo anunciado em julho envolvendo fundo imobiliário administrado pela BRL Trust e gerido pela TRX, por 134,6 milhões de reais.

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