PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

Verão da vacinação nos EUA termina em temperatura morna com alta de casos da variante Delta

03/09/2021 13h39

Por Howard Schneider e Trevor Hunnicutt

WASHINGTON (Reuters) - A promessa de uma economia norte-americana "normal" neste verão no Hemisfério Norte, que começou com a revitalização de restaurantes, viagens aéreas e jogos de beisebol em junho, está se transformando em uma queda incerta diante de riscos crescentes para a saúde e para a economia.

O fim de semana do Dia do Trabalho, que tradicionalmente marca o término da temporada de verão nos EUA, era considerado o momento em que a economia finalmente faria a transição para sair da crise pandêmica, com empregos e salários no setor privado substituindo os benefícios a desempregados.

Em vez disso, o verão está terminando com aumento da contagem de casos de Covid-19, hospitais lotados de pacientes, forte desaceleração na geração de empregos e previsões sombrias.

A mais alarmante: o Instituto de Avaliação e Métricas de Saúde da Universidade de Washington projeta que entre agora e 1º de dezembro haverá 100 mil mortes por Covid, mais do que no mesmo período do ano passado, quando uma onda de infecções de inverno se espalhou e as vacinas ainda não estavam disponíveis.

"Não acho que o outono de 2021 (nos EUA) nos trará a catarse que esperávamos", disse Nick Bunker, diretor de pesquisa econômica para o buscador de empregos Indeed, ou fornecerá uma visão clara de quão rápido o mercado de trabalho dos EUA pode recuperar os 5,3 milhões de empregos ainda faltantes em relação ao patamar de antes da pandemia. "A transição vai ser mais longa do que o esperado. A questão é: é um tropeço ou o bastão caiu?"

Os EUA criaram fora do setor agrícola 235 mil empregos no mês passado, após geração de 1,053 milhão de vagas em julho, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira. Economistas esperavam 728 mil novos postos.

A concessão de benefícios especiais de desemprego de 300 dólares por semana termina no sábado. Embora os empregadores esperem que isso leve novos candidatos a um mercado ávido por mão de obra, há sinais de que a pandemia pode ter começado a restringir seus planos de contratação.

A reabertura de escolas, longe de facilitar o retorno dos pais aos empregos de tempo integral, foi marcada por surtos irregulares de Covid-19, quarentenas e fechamentos, à medida que as diretorias das instituições encontraram dificuldades em fazer alunos seguirem protocolos sanitários.

O gerente do The Irish Whisper, um pub perto do Gaylord National Resort and Convention Center em Oxon Hill, Maryland, disse que os negócios caíram desde o primeiro pico do verão.

"Não está tão bom quanto o pré-Covid, mas é melhor do que nada", disse o gerente, que deu apenas o primeiro nome, Andrew. "Achei que estávamos livres, e essa variante surgiu."

Depois de um forte começo neste verão, o público está indo menos aos estádios de beisebol.

BIDEN E O VÍRUS

É um momento particularmente delicado para o presidente dos EUA, Joe Biden.

O democrata sofreu abalo nas pesquisas com o ressurgimento do vírus, enfrenta críticas sobre a retirada de tropas norte-americanas do Afeganistão e precisa lidar com as consequências do furacão Ida e fim de prazos no Congresso nas próximas semanas para manter o governo financiado e sua agenda econômica, nos trilhos.

"Há muito mais trabalho a fazer", para consertar a economia dos EUA, disse Biden nesta sexta-feira ao comentar os fracos números de empregos. "Precisamos fazer mais progressos na luta contra a variante Delta", acrescentou, repetindo que agora é uma pandemia de não vacinados.

A estratégia de Biden de eliminar a Covid-19 vacinando todo o país foi prejudicada por um movimento antivacina carregado de forte viés político, e o ritmo de imunização diminuiu desde o pico em abril.

Uma série de leituras de inflação acima do esperado devido a problemas na cadeia de abastecimento e a escassez de mão de obra consumiu o que de outra forma teriam sido ganhos salariais saudáveis. Um índice de confiança do consumidor, que pode influenciar os gastos, caiu em agosto para uma mínima em seis meses.

O progresso no combate ao vírus "é o diferencial número 1 (de Biden), mas as pessoas estão desanimadas e frustradas, e isso também está interagindo com a economia", disse um assessor de Biden não autorizado a falar oficialmente.

Funcionários do governo acreditam que a recuperação continua em grande parte no caminho certo, e os planos de infraestrutura e gastos podem parcialmente compensar o fim dos pagamentos semanais do seguro-desemprego.

Os democratas esperam finalizar um projeto de infraestrutura bipartidário de 1 trilhão de dólares ainda neste mês, enquanto também trabalham em plano de 3,5 trilhões de dólares que por ora só tem apoio dos próprios democratas.

PUBLICIDADE