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Dólar sai de mínimas contra real antes de decisões de BCs; mercado monitora precatórios e Evergrande

22/09/2021 09h15

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar reduzia suas perdas nesta quarta-feira, saindo de mínimas na casa dos 5,25 reais alcançadas mais cedo, com os mercados à espera das decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil, conforme monitoravam a situação da China Evergrande e as discussões domésticas em torno dos precatórios.

Às 10:12, o dólar recuava 0,04%, a 5,2831 reais na venda, depois de tocar 5,2501 reais na mínima do dia (-0,66%). Na B3, o dólar futuro subia 0,27%, a 5,2945.

Na véspera, o dólar caiu 0,81%, a 5,2854 reais na venda, depois que os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicaram compromisso com a busca por solução para a conta bilionária de precatórios para 2022.

Pacheco disse que a PEC para resolver o problema dos precatórios no Orçamento do ano que vem preverá uma limitação do crescimento dessas despesas pela mesma dinâmica da regra do teto de gastos, enquanto Lira ressaltou intenção de respeitar o teto de gastos e criou a comissão especial que analisará o mérito da PEC dos precatórios.

"A solução para pagamento de precatórios parece estar chegando a um desfecho", escreveram analistas da XP em nota. "Consiste em uma mistura de várias propostas, mas tem como base a resolução que vinha sendo costurada via Conselho Nacional de Justiça (CNJ)."

Enquanto isso, no exterior, os operadores repercutiam a notícia de que a chinesa Evergrande concordou nesta quarta-feira em acertar o pagamento de juros de um título doméstico, afastando temores de calote iminente. A endividada incorporadora assustou os mercados no início da semana, desencadeando fuga para ativos considerados seguros em meio a temores de contaminação da economia mais ampla.

Rand sul-africano, peso mexicano e dólar australiano, três pares importantes do real, apresentavam leves ganhos no dia.

Nesta quarta-feira, também concentram a atenção dos mercados as reuniões do Fed e do BC doméstico. A expectativa é de que o banco central norte-americano abra caminho para reduções em suas compras mensais de títulos, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro deve elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 6,25% ao ano.

"Dado o diferencial de juros cada vez mais significativo (entre Brasil e economias avançadas), o real deveria ter maior apreciação, mas ruídos políticos domésticos não têm permitido essa valorização", disse à Reuters Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos.

Ainda assim, ele ressaltou que o BC pode sinalizar nesta quarta-feira uma Selic mais alta do que o esperado anteriormente ao fim de seu ciclo de aperto de juros. Isso, somado às garantias frequentes do Fed de que redução em suas compras de títulos não significa, necessariamente, elevação iminente de juros, pode beneficiar a divisa brasileira adiante, afirmou Morelli.

Mas, para isso, é preciso "acertar o ruído político em Brasília e contornar a volatilidade antes das eleições de 2022".

(Edição de Camila Moreira e Maria Pia Palermo)

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