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Usinas a bagaço de cana lideram vendas de energia em leilão para entrega em 2026

30/09/2021 13h05

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) -As usinas a partir de bagaço de cana-de-açúcar lideraram as vendas no leilão de energia nova A-5, com entrega a partir de 2026, respondendo por mais de 32% do total comercializado, com a fonte térmica também apresentando o maior deságio entre os geradores participantes.

As térmicas, incluindo um projeto de cavaco de madeira, negociaram 9,3 milhões de MWh, ou cerca de 37% do total de 25,14 milhões de MWh vendidos no leilão, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que realizou o leilão juntamente com a reguladora Aneel.

Esses empreendimentos a biomassa viabilizados no leilão terão 301,2 MW de potência, de um total 860,7 MW, que incluem também outras fontes, como parques eólicos, solares, uma hidrelétrica e uma usina a partir de resíduos sólidos urbanos.

"A biomassa é uma fonte tradicional na matriz brasileira e que apresentou uma boa competitividade neste leilão, o que potencializou seus resultados, além do preço inicial mais elevado ser atrativo para os empreendedores", avaliou o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Rui Altieri, após ser consultado pela Reuters.

"Avaliamos como positiva a contratação destas usinas e das outras fontes, mantendo a diversificação do nosso parque gerador", completou.

Em nota à imprensa, ele disse ainda que o resultado vai "ao encontro do nosso objetivo de modernizar o parque brasileiro e substituir usinas mais caras por empreendimentos mais baratos".

Para o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar Souza, a liderança da biomassa no A-5 mostra que está havendo um processo de melhorias na forma de contratação dessa fonte.

"Com o reconhecimento efetivo dos atributos dessa fonte no futuro, a biomassa poderá responder rapidamente e positivamente nos próximos leilões de energia elétrica, entregando uma energia não intermitente e renovável ao sistema", disse ele.

O preço médio de venda dos projetos termelétricos a biomassa foi de 271,26 reais por MWh, ante valor inicial de 365 reais, o maior deságio do leilão, de 25,7%.

No caso do empreendimento a partir de resíduos sólidos, que marcou a estreia da fonte como vendedora no leilão, a negociação foi de 2,1 milhões de MWh, e o preço ficou em 549,35 reais, deságio de 14%.

Os projetos de geração solar venderam quase 4 milhões de MWh, viabilizando projetos de 236,4 MW de potência, seguidos pelos empreendimentos eólicos (3,66 milhões de MWh, em projetos de 161,3 MW) e um hidrelétrico, com venda de cerca de 6 milhões de MWh (141,9 MW).

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, o volume arrematado de fontes mais caras (biomassa) ainda foi maior no certame, o que traz um sinal de alerta para o governo federal e para os consumidores.

Ele disse que volume contratado de energia solar foi "muito baixo em comparação com o número elevadíssimo de projetos participantes do leilão". A solar ofertou mais de 800 projetos.

"Isso ocasionou uma alta competição entre os empreendedores, produzindo preços-médios abaixo da referência para a fonte solar fotovoltaica no Brasil, o que demonstra uma alta capacidade competitiva da fonte, mesmo em momentos de turbulência macroeconômica", comenta.

Os menores preços fechados foram para os projetos eólicos, a 160,36 reais por MWh, com deságio de 16%, enquanto os solares tiveram valor de 166,89 reais por MWh (deságio de 12,6%). O projeto hidrelétrico negociou energia a 174,27 reais por MWh.

O leilão, que movimentou 5,99 bilhões de reais, deverá gerar investimentos de 3,067 bilhões de reais, viabilizando obras de 40 usinas, segundo dados da CCEE.

DEMANDA ATENDIDA

Este foi o terceiro leilão de energia nova organizado em 2021, disse a CCEE em nota, destacando que o deságio médio das negociações, incluindo todas as fontes, foi 17,48%.

Com contratos fechados abaixo do valor nominal, a economia obtida foi de 1,269 bilhão de reais.

As distribuidoras que declararam demanda para o leilão, segundo a CCEE, foram a Celpa, Cemar, CPFL Jaguari, CPFL Paulista e Light. Elas serão abastecidas pelos empreendimentos contratados por até 25 anos, a depender do tipo de fonte.

"O leilão teve sucesso porque conseguiu contratar toda a demanda declarada pelas distribuidoras", avaliou o gerente-executivo da Secretaria Executiva de Leilões da Aneel, André Patrus, em entrevista online a jornalistas.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

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