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Verticalização de planos de saúde entra na mira da CPI da Covid

28.set.2021 - Fachada de prédio da Prevent Senior na região do Paraíso, na zona sul de São Paulo - Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo
28.set.2021 - Fachada de prédio da Prevent Senior na região do Paraíso, na zona sul de São Paulo Imagem: Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo

06/10/2021 16h25

Os ganhos dos planos de saúde com operações de incorporação de hospitais e outros ativos de atendimento aos usuários, a chamada verticalização, entrou na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga a condução da gestão da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro.

O assunto entrou na pauta com o depoimento do presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello Filho, criticado pela falta de ação da autarquia sobre a atuação da Prevent Senior. A empresa tem operação verticalizada e é acusada de fraudes em registros de óbitos de vítimas da Covid-19 e de imposição a médicos e clientes dos chamados "Kit Covid" de medicamentos, como hidroxicloroquina, e "tratamento precoce".

Na reunião, Rebello afirmou que a ANS vai decretar em até 15 dias um "regime especial de direção técnica" na operadora Prevent Senior por conta das denúncias contra a empresa divulgadas na CPI.

O instrumento, segundo a Agência Senado, não é uma intervenção e se refere à nomeação de um "diretor técnico" que vai enviar informações diárias da Prevent Senior para ANS analisar eventuais "anormalidades administrativas".

"Quero trazer para o banco dos réus a verticalização. E se precisar continuar tendo (a verticalização), é preciso ter algum grau de controle entre uma coisa e outra", defendeu o senador Rogério Carvalho (PT-SE) na comissão.

"Quanto menos custo, mais a operadora ganha, e se eu controlo quem produz o custo a partir da necessidade do usuário, vai se interferir na hora de atender a necessidade do cidadão?", questionou o senador.

"Este assunto (vertivalização) precisa ser apontado como um problema para se garantir a preservação da vida e garantir ao contratante de um plano de que a sinistralidade que acontecer com ele não será mitigada pelo interesse da operadora junto ao hospital ou unidade assistencial", disse Carvalho.

Por volta das 16h, as ações da operadora verticalizada Hapvida, também citada na CPI, tinham baixa de 1,9%, enquanto o Ibovespa mostrava desvalorização de 0,2%. Por sua vez, os papéis da Intermédica, alvo de aquisição da Hapvida mostravam baixa de 1,8%.

A ANS acompanha 736 planos de assistência médica, com mais de 48 milhões de clientes atendidos e o presidente da agência afirmou na CPI que o número de reclamações dos usuários cresceu durante a pandemia.

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