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Retomada da América Latina não será suficiente para recuperação total da Covid-19, diz Cepal

14/10/2021 11h48

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - A pandemia de Covid-19 causou tanto desemprego e pobreza na América Latina e no Caribe que uma "retomada estatística" no crescimento este ano não será suficiente para superá-la, disse a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) em um relatório desta quinta-feira.

A economia latino-americana deve crescer 5,9% neste ano e 2,9% em 2022, afirmou a Cepal em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mantendo previsão anterior.

As projeções da Cepal apontam que o Brasil crescerá menos do que outras grandes economias da região este ano, alcançando uma taxa de 5,2%. O Peru deve expandir 10,6%, o Chile 9,2% e a Argentina e a Colômbia 7.5%, A previsão para o México é de um crescimento de 6,2%

No entanto, isso não será suficiente para uma recuperação total em relação à crise social e sanitária desencadeada pela Covid-19, que reduziu a produção econômica em 6,8% em 2020.

Com apenas 8,4% da população mundial, as 1,5 milhão de mortes registradas na América Latina pela Covid-19 representam cerca de 30% do total de óbitos globais, tornando a região a mais atingida do planeta.

"Uma retomada econômica por si só não será suficiente para se recuperar da pandemia", disse o relatório sobre saúde pública, economia e consequências sociais da Covid-19 na região.

A diretora da Opas, Carissa Etienne, e a secretária executiva da Cepal, Alicia Barcena, disseram que não haverá uma recuperação robusta sem uma resolução da crise de saúde pública na região, onde apenas 39% das pessoas foram vacinadas.

"Portanto, é ainda mais importante garantir a prestação de serviços essenciais de saúde em meio a uma pandemia prolongada, onde a vacinação em massa é um dos principais desafios que os países devem enfrentar para controlar a pandemia, apoiados por medidas de proteção social e saúde pública", disse o relatório.

As organizações fizeram um apelo pelo reforço dos sistemas de saúde com aumento dos gastos públicos e melhores serviços de saúde primários.

Barcena disse que as economias da região verão uma "recuperação estatística" este ano, que não deve continuar em 2022.

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