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Ibovespa contém perdas no final, mas tem pior semana desde início da pandemia

22/10/2021 17h59

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Manifestações de apoio do presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Economia estancaram rumores sobre demissão de Paulo Guedes nesta sexta-feira e amenizaram perdas das ações brasileiras, mas não a ponto de debelar a piora das expectativas para economia, que levaram o principal índice da bolsa paulista à pior semana em oito meses.

Com perda de 1,34%, o Ibovespa desceu aos 106.296,18 pontos, nova mínima desde novembro passado, após ter chegado a cair mais de 4,5% durante a sessão. Ainda assim, contabilizou perda de 7,28% na semana, a pior desde a desvalorização de 15,6% na semana fechada em 13 de março de 2020, no começo da pandemia.

A forte volatilidade voltou a turbinar o volume financeiro, que somou 53,9 bilhões de reais na sessão.

O dia começou com o mercado especulando sobre a saída de Guedes, após a demissão do secretário especial do Orçamento, Bruno Funchal, e do secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt. As saídas ocorreram após a aprovação da mudança do teto dos gastos para viabilizar o pagamento do Auxílio Brasil até o fim de 2022. Após apoio público de Bolsonaro, Guedes negou que as medidas sejam violação do compromisso com a responsabilidade fiscal.

Na ponta do lápis, porém, o saldo da semana foi uma piora generalizada das perspectivas econômicas, com bancos prevendo que já na semana que vem o Banco Central vai intensificar o ritmo de aumento da Selic, hoje em 6,25% ao ano, para fazer frente à piora no quadro fiscal.

"Não tem almoço grátis: fim do teto de gastos vai afetar o PIB e a inflação", resumiu o Credit Suisse em relatório.

O quadro econômico dividirá as atenções do mercado com o início da temporada de balanços do terceiro trimestre - que começa neste noite com Hypera -, com Vale, Petrobras, Gerdau, Assaí e Santander Brasil, entre outros, revelando seus números do período e projeções para os próximos meses na próxima semana.

DESTAQUES

- GETNET derreteu 15,5% com a empresa de pagamentos do Santander na terceira sessão seguida no vermelho, agora pela primeira vez abaixo de seu valor de estreia na B3, na última segunda-feira.

- BANCO INTER desabou 6,65%, BANCO PAN perdeu 2,5%, com os bancos digitais saindo do radar dos investidores num cenário de juros em elevação, justo no momento em que ampliavam apostas no crédito.

- AMERICANAS declinou 4,8% e LOJAS RENNER perdeu 4%, diante da rápida deterioração das expectativas para o cenário das empresas ligadas ao consumo doméstico.

- ITAÚ UNIBANCO e BRADESCO diminuíram em 3,8% cada, BANCO DO BRASIL encolheu 3%, com os bancos refletindo diretamente a piora do panorama macro, uma vez que uma eventual piora na nota de crédito soberana do país teria impacto imediato no setor.

- SUZANO disparou 7,3%, uma vez que investidores buscaram ações de grandes exportadoras como um porto seguro num momento de alta volatilidade do mercado. No setor, KLABIN ganhou 7,6%, após o Bank of America reforçar recomendação de compra para a ação.

- VALE subiu 1,2%, mesmo em dia de queda dos preços do minério de ferro, uma vez que o pagamento de um cupom de dívida da incorporadora Evergrande amenizou temores de crise no setor imobiliário chinês, principal mercado da companhia. No setor de siderurgia, GERDAU teve alta de 0,6%, USIMINAS ganhou 1,3% e CSN teve oscilação positiva de 0,1%.

- BB SEGURIDADE cresceu 0,8%, uma vez que a acelaração da Selic tende a beneficiar a carteira de títulos detida pela seguradora.

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