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Caixa quer IPOs de Elo e Caixa asset até fevereiro, foco do Caixa Tem é no crédito

Presidente Jair Bolsonaro ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães - Por Aluisio Alves
Presidente Jair Bolsonaro ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães Imagem: Por Aluisio Alves

Aluisio Alves

26/10/2021 08h40Atualizada em 26/10/2021 16h38

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal quer listar em bolsa a bandeira de cartões Elo e o negócio de gestão de recursos de terceiros Caixa Asset até o início de 2022, enquanto tenta escalar a operação de crédito no banco digital Caixa Tem antes de levá-lo ao mercado, disse o presidente do banco estatal, Pedro Guimarães.

"Mesmo com as atuais condições do mercado, o IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) da Elo é uma boa operação para levar ao mercado porque é uma empresa de alto crescimento", disse Guimarães em entrevista à Reuters. "É possível fazer já em dezembro ou até fevereiro de 2022."

Há meses, a Caixa, maior acionista da Elo com 41,5% do capital da empresa, Bradesco e Banco do Brasil tentam avançar nos preparativos para listagem da Elo, que deve acontecer numa das bolsas dos Estados Unidos, para facilitar a comparabilidade com as rivais globais Visa e Mastercard.

Mas mais de 60 empresas adiaram ou cancelaram seus planos de estreia na bolsa neste ano, diante da queda das ações e da instabilidade política e macroeconômica do Brasil. Várias das que levaram seus IPOs até o fim tiveram que aceitar grandes cortes nos preços das ações. Em alguns casos, as ofertas só ocorreram com a garantia dos chamados investidores âncora.

Questionado se o IPO da Elo terá esse desenho, Guimarães não quis dar detalhes, mas garantiu que a operação vai acontecer.

A Elo, que afirma ter uma base de mais de 140 milhões de cartões, planeja captar recursos no mercado para aumentar sua rede de emissores e investir mais em tecnologia, eventualmente com a compra de fintechs, como já fazem Visa e Mastercard.

Segundo Guimarães, os sócios da Elo estão nas aprovações finais para o IPO, como a escolha das instituições que vão coordenar a oferta, que devem incluir as unidades de banco de investimento dos próprios donos da empresa. A Reuters publicou em abril citando fontes que que Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan haviam sido escolhidos como coordenadores do IPO.

No caso da Caixa Asset, com IPO previsto para ocorrer na B3 até fevereiro, pode envolver a venda de até 15% da companhia ao mercado. Segundo Guimarães, a companhia a ser listada terá cerca de 500 bilhões de reais em ativos sob gestão, já que fundos com ativos problemáticos ligados a investimentos com recursos do FGTS serão cindidos.

No caso da Caixa Tem, banco digital criado no ano passado para pagamento de programas de distribuição de renda do governo federal, o banco quer primeiro ter uma carteira de microcrédito de maior porte antes de pensar em retomar um plano de IPO.

Segundo Guimarães, por ter acesso a custo menor de captação de recursos, a Caixa poderá mostrar a investidores que a Caixa Tem dispõe de melhores condições de reter clientes do que os bancos digitais mais recentes.

"Ninguém conversa todo mês com 40 a 50 milhões de clientes por mês", afirmou o executivo. "E a Caixa é a única em condições de emprestar para quem não tem histórico de crédito no mercado por causa das nossas características distintas".

O adiamento no plano do IPO da Caixa Tem, antes previsto para acontecer neste ano na Nasdaq, ocorre no momento em que a expansão da base de clientes de bancos digitais começa a perder força no Brasil, com investidores passando a buscar informações sobre quantos clientes fazem transações e são capazes de prover rentabilidade aos negócios.

POLÍTICA

Guimarães, que tem sido presença frequente nas transmissões do presidente Jair Bolsonaro pelas redes sociais, e que tem viajado pelo país visitando prefeitos e inaugurado agências da Caixa, na contramão dos bancos privados, negou que tenha pretensões de se candidatar para as eleições de 2022.

Negou também que possa ser um possível substituto para Paulo Guedes, que foi alvo de especulação no mercado na semana passada de que seria demitido do comando do Ministério da Economia, após admitir que iria contornar o teto de gastos para acomodar o pagamento do programa social Auxílio Brasil.

"Não sou candidato a nada no ano que vem", disse Guimarães. "E tenho fidelidade extrema ao ministro Guedes."

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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