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Vieira recua e Renan desiste de indiciamento de Heinze após critica de presidente do Senado

26/10/2021 17h21

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O relator da CPI da Covid do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), voltou atrás sobre o indiciamento do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) no relatório final --medida que foi criticada por governistas e pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (MG)-- após o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) rever seu pedido de mais cedo.

À noite, Vieira pediu à comissão que retirasse a sugestão de indiciamento de Heinze ao avaliar que as declarações dele estavam abrangidas pela imunidade parlamentar, o que foi aventado pelo presidente do Senado.

O senador disse que estava fazendo isso por mérito e que "não se gasta vela boa com defunto ruim".

"A CPI prestou serviço relevante", destacou.

Renan acatou de pronto a decisão de Vieira. O relatório final da CPI precisa ser votado e, com a mudança, terá 80 pedidos de indiciamento.

LAMENTO

Em sua fala mais cedo, Alessandro Vieira disse "lamentar muito", mas apresentou o requerimento para indiciar Heinze, que é integrante da comissão, por "disseminar reiteradamente notícias falsas que impactam na vida". Ao longo da CPI, Heinze fez forte defesa da adoção do tratamento precoce.

"Esta comissão, a ciência, os livros, a imprensa, todos já apresentaram um volume imenso de informações que mostra que esses dados que o senador repete aqui são falsos. Mas, infelizmente, o eleitor do Heinze, lá no interior do Rio Grande do Sul, vai entender que é verdadeiro, porque ele está abrindo a internet e está vendo o senador Heinze repetindo todos os dias, sem nenhuma reprimenda", disse.

"Esta CPI teve a coragem de pedir o indiciamento do presidente da República, do líder do governo. Não pode fechar os olhos com relação ao comportamento do seu colega parlamentar, senador da República, que repete reiteradamente a mentira como forma de desinformar o cidadão Peço deferimento, senhor relator", defendeu.

Heinze protestou contra o pedido, mas Renan acolheu, justificando que, apesar das advertências, o senador "reincidiu aqui todos os dias, apresentando estudos falsos, logo negados pela ciência, e pela maneira como incitou ao crime em todos os momentos". Destacou que ele seria o 81º indiciado pela CPI.

Em nota, o presidente do Senado contestou a decisão. "Nunca interferi e não interferirei nos trabalhos da CPI. Mas, pelo que percebo, considero o indiciamento do senador Heinze um excesso. Mas a decisão é da CPI", disse Pacheco.

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