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PERFIL-Doria tenta nas prévias tucanas dar passo decisivo para cumprir ambição política

19/11/2021 12h29

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Gestor competente para aliados, mas figura personalista e pouco afeita a lealdades políticas na visão de adversários, o governador de São Paulo, João Doria, buscará dar nas prévias do PSDB o passo decisivo para cumprir a ambição que demonstra ter desde que entrou na política em 2016: chegar à Presidência da República.

Filiado ao PSDB desde 2001, Doria participou de sua primeira eleição --e de sua primeira prévia-- somente em 2016, para prefeito de São Paulo apadrinhado pelo então governador do Estado, Geraldo Alckmin. Venceu o pleito em primeiro turno --o que jamais havia ocorrido em eleições de dois turnos na capital paulista-- e logo adotou discurso nacional, passando a ser rapidamente visto como possível presidenciável.

Mas Alckmin agiu para confirmar aquela que seria sua segunda candidatura ao Planalto, e restou a Doria descumprir promessa de campanha e renunciar ao mandato para disputar o governo estadual, não sem antes enfrentar uma segunda prévia partidária, que venceu com folga.

Na campanha, descolou-se de Alckmin diante da desidratação da postulação presidencial do ex-aliado, o que lhe rendeu acusações de deslealdade, e, no segundo turno, buscou colar no então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, lançando o slogan "Bolsodoria", que ajudou a lhe dar uma vitória apertada, mas passou a persegui-lo após tornar-se desafeto de Bolsonaro, principalmente durante a pandemia de Covid-19.

Elogiado por aliados como gestor competente, que traz para a administração pública sua bem-sucedida experiência no setor privado, Doria costuma ser firme na cobrança a auxiliares e hábil na divulgação das ações de seu governo, o que leva adversários a rotulá-lo de "marqueteiro".

Nas reuniões de secretariado, que contam com a presença de empresários, membros da sociedade civil e jornalistas convidados, é possível vê-lo chamar a atenção de auxiliares que não estejam prestando atenção e pressionar pelo cumprimento de prazos e metas.

Ao mesmo tempo, coleciona ataques e trocas de farpas com figuras históricas do PSDB --tornou-se viral um vídeo em que, já prefeito, chamou o ex-deputado Alberto Goldman de "improdutivo" e "fracassado". Mais recentemente, entrou em rota de colisão com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), ao defender sua expulsão do partido por conta de denúncias de corrupção. A tese de Doria foi derrotada na legenda e ele tem atualmente no mineiro seu maior rival interno.

Teve ainda atritos com aliados históricos de seu partido. O presidente do DEM, ACM Neto, quando da saída do vice-governador paulista, Rodrigo Garcia, do DEM para o PSDB, acusou Doria de ter "postura desagregadora" e chegou a descartar uma eventual aliança caso ele seja o candidato tucano ao Planalto.

Ao mesmo tempo, Doria é reconhecido mesmo entre integrantes da esquerda por ter trazido a primeira vacina contra Covid-19 ao Brasil, a CoronaVac, e por ter contribuído, na sua busca pelo imunizante, a pressionar o governo federal a correr atrás de vacinas, apesar da postura de Bolsonaro contrária à vacinação.

Aclamado por aliados como "pai da vacina", Doria terá, aliás, no histórico de busca pelo imunizante seu principal ativo político caso vença as prévias de domingo e dispute o Planalto.

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