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Samarco atinge 7% do mercado de exportação de pelotas no 1º ano após retomada, diz CEO

16/12/2021 16h33

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) -A Samarco abocanhou 7% de participação no mercado transocêanico de pelotas de minério de ferro, após retomar suas atividades há um ano com 26% de sua capacidade, e é atualmente a sexta dentre as maiores exportadoras globais, disse à Reuters o presidente da companhia, Rodrigo Vilela.

A empresa, uma joint venture da Vale com o grupo BHP, voltou a operar em 23 de dezembro de 2020, depois de cinco anos de paralisação devido ao colapso de uma de suas barragens de rejeitos de mineração, em novembro de 2015.

Até o rompimento da barragem, a Samarco era vice-líder do mercado transoceânico de pelotas, com 20% do mercado.

Desde o retorno das atividades até o fim deste ano, a previsão é atingir 7,7 milhões de toneladas produzidas, e a companhia já comercializou todo esse volume, segundo o presidente da mineradora.

A Ásia foi o principal destino do produto da companhia, com 36% do total, seguida pelo Oriente Médio e Norte da África (22%), Américas (22%) e Europa (20%). A empresa também fornece ao mercado interno.

"A retomada ocorreu de forma segura, estável, superando expectativas. Foi um primeiro passo para reconquistar a confiança dos 'stakeholders' e das comunidades onde a gente atua", disse Vilela, em entrevista por telefone.

O rompimento da barragem em Mariana deixou 19 mortos, centenas de desabrigados, e atingiu o importante rio Doce, até o mar do Espírito Santo.

O executivo ponderou que o retorno da empresa foi encarado com muita insegurança após o que ocorreu, o que ele classificou como "natural" e "legítimo". Segundo Vilela, a retomada total da confiança e da reputação vão levar tempo, mas a empresa está comprometida.

Os resultados operacionais alcançados neste ano, disse o executivo, "superaram as expectativas", com o "ramp-up" sendo atingido em cerca de três meses após o início das operações e a empresa fornecendo um produto de elevado teor de ferro, superior a 65%.

"Normalmente temos alcançado um prêmio maior do que o mercado consegue devido à qualidade do nosso produto", disse Vilela, evitando falar em números.

"Devido às características mineralógicas do nosso minério, nossas pelotas possuem alta redutibilidade e, portanto, requerem um menor consumo energético para serem reduzidas no processo siderúrgico."

As operações da empresa não utilizam mais barragens para a disposição de rejeitos, de acordo com os compromissos assumidos com os órgãos competentes e com a sociedade, e após a implantação do sistema de filtragem de rejeitos a seco, uma concepção operacional diferente e com inovações no processo produtivo.

PERSPECTIVAS

Para o próximo ano, o executivo disse esperar que o preço médio do minério de ferro seja menor do que em 2021, quando chegou a ser cotado acima de 200 dólares a tonelada no mercado chinês.

A expectativa, segundo Vilela, é que o valor da commodity fique mais estável em 2022, próximo do patamar atual, e que o mercado permaneça aquecido, "o que tende a sustentar ou mesmo elevar os níveis dos prêmios das pelotas".

Vilela também destacou que a empresa espera "emergir durante 2022 como uma Samarco mais forte", por meio do processo de recuperação judicial em curso.

Além disso, reiterou o compromisso com a reparação do desastre, destacando que já foram indenizadas mais de 352 mil pessoas, tendo sido destinados mais de 17,40 bilhões de reais para as ações executadas pela Fundação Renova.

Com a retomada, a Samarco gerou entre janeiro e novembro aproximadamente 1 bilhão de reais em tributos. Atualmente, a Samarco emprega diretamente 1.450 pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo, e possui uma base de 3.000 fornecedores ativos.

(Por Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

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