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Dólar recua ante real, mas fica longe de mínimas do dia em meio a riscos externos e locais

21/12/2021 17h13

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu ligeiramente frente ao real nesta terça-feira, mas fechou a sessão longe das mínimas do dia apesar de mais uma intervenção do Banco Central no mercado à vista, com investidores mantendo-se cautelosos em meio à disseminação global da variante Ômicron da Covid-19 e a temores fiscais domésticos.

A moeda norte-americana negociada no mercado interbancário fechou em baixa de 0,10%, a 5,7394 reais. O dólar encerrou o pregão bem acima da mínima do dia, quando perdeu 0,58%, para 5,7117 reais.

Na B3, às 17:10 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,10%, a 5,7480 reais.

Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba, chamou a atenção para o patamar elevado da divisa norte-americana, que, com o desempenho desta sessão, fica apenas 0,92% abaixo do pico recorde deste ano, de 5,7927 reais, alcançado em 9 de março.

No acumulado do ano, a moeda sobe 10,55% ante o real.

"O cenário externo tem puxado o dólar para cima; com a variante Ômicron, alguns países da Europa estão decretando lockdown, aí, como a gente já viu outras vezes com a (variante) Delta, o risco faz com que o dólar suba, o pessoal vai se proteger sempre nele", disse ele à Reuters.

Schroeder também atribuiu o patamar elevado da divisa norte-americana a altas recentes provocadas por movimentos sazonais de saídas de fluxos do Brasil, à medida que empresas fazem pagamentos de dividendos.

Enquanto isso, no âmbito local, o foco estava sobre o Orçamento de 2022, em meio à percepção de participantes do mercado de que há grande pressão por mais gastos no ano que vem.

Nesta terça-feira, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou o parecer do relator-geral da Lei Orçamentária Anual (LOA), deputado Hugo Leal (PSD-RJ), que prevê 4,9 bilhões de reais para o fundo eleitoral --conhecido como fundão-- e ainda reserva 1,7 bilhão de reais para reajuste de policiais.

"Já temos um problema fiscal e, com mais pressão por gastos em 2022, gera uma pulga atrás da orelha" dos participantes do mercado, disse Schroeder.

Analistas da Levante Investimentos, por outro lado, disseram em nota que acreditam que "os mercados já parecem ter pacificado (e precificado) a nova realidade fiscal do país, (...) e agora passam a se preocupar com as eleições de 2022 e a plataforma econômica do novo presidente eleito".

Investidores têm alertado que, historicamente, eleições polarizadas aumentam a incerteza política, incentivando o direcionamento de recursos para ativos mais seguros, como o dólar.

No cenário repleto de riscos, tanto locais quanto internacionais, Schroeder, da Câmbio Curitiba, acredita ser improvável que o dólar encerre o ano em linha com as projeções da última pesquisa Focus do Banco Central, divulgada na véspera, que estima taxa de câmbio de 5,60 reais ao fim de 2021. Em vez disso, disse ele, a moeda deve acabar dezembro na faixa dos 5,70.

O Banco Central vendeu nesta sessão 500 milhões de dólares em leilão de moeda à vista, a quinta operação do tipo nos últimos oito pregões, o que, segundo participantes do mercado, teve objetivo de fornecer liquidez.

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