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Discurso mais duro do Fed leva Ibovespa a maior tombo desde novembro

05/01/2022 18h53

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa brasileira afundou mais de 2% nesta quarta-feira, em sessão negativa no exterior, após o Federal Reserve (Fed) revelar que discutiu um aumento nas taxas de juros antes do esperado e uma redução em sua carteira geral de ativos.

A ata da última reunião da última reunião de política monetária do banco central norte-americano foi divulgada à tarde e seu conteúdo foi lido pelo mercado como uma postura mais dura da instituição contra a inflação no país.

O Ibovespa caiu 2,42%, a 101.005,64 pontos, na maior queda diária desde 26 de novembro e menor fechamento desde 1º de dezembro. Na mínima, o índice rompeu as barreiras do 101.000 pontos. O volume financeiro foi de 29,7 bilhões de reais.

Os mercados de ações reagiram mal ao tom mais duro do Fed, dado que um aperto mais intenso e rápido da política monetária norte-americana reduziria a liquidez dos mercados globais, impactando ativos de renda variável e especialmente emergentes.

No comunicado divulgado junto com a decisão de política monetária em dezembro, o Fed havia sinalizado que sua meta de inflação fora cumprida e que fecharia em março as compras de títulos adotadas durante a pandemia, pavimentando o caminho para três aumentos na taxa de juros até o fim de 2022.

As discussões reveladas pela ata mostraram, entretanto, um banco central dos EUA ainda mais preocupado com a inflação do que se imaginava. Após a divulgação do documento, os contratos futuros de taxas de juros nos EUA embutiam cerca de 80% de probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros já em março.

"O Fed se mostrou bastante preocupado com a inflação e mais disposto a acelerar o ritmo da política monetária", disse Daniel Lima, economista do Banco ABC Brasil.

Além de discussão sobre eventual aumento da taxa de juros mais cedo ou em ritmo mais rápido do que o mercado previa, a ata também mostrou possibilidade de diminuir a carteira de títulos do Tesouro e dos lastreados em hipotecas acumulados durante a pandemia, um passo além do divulgado até então.

O S&P 500 caiu 1,9% e o Nasdaq desabou 3,3%. Ainda nesta semana será divulgado um dado-chave do mercado de trabalho nos EUA, o que pode movimentar os ativos.

Mesmo antes da ata do Fed, o Ibovespa já cedia 1,6%. O índice segue pressionado por incertezas fiscais, em especial o movimento de servidores por reajustes salariais, e ainda não fechou um pregão no azul em 2022.

A Petrobras foi a maior contribuição negativa para o índice, enquanto a Vale foi a principal e uma das poucas altas.

DESTAQUES

- LOCAWEB ON recuou 12,8%, na maior queda desde abril de 2020, enquanto MÉLIUZ ON cedeu 9%, dado o efeito da perspectiva de alta de juros em empresas ligadas ao setor de tecnologia, que dependem mais de financiamento. INTER UNIT caiu 5,4%, após afundar quase 14% na véspera.

- BRF ON subiu 1,3%, após Credit Suisse elevar recomendação da ação para "outperform", de "neutra", e projetar melhores resultados para a companhia.

- PETROBRAS PN cedeu 3,9% e a ON recuou 4,1%, mesmo com o avanço de 1% dos preços do petróleo. PETRORIO ON afundou 10,8%, maior queda desde abril de 2020, e 3R PETROLEUM ON caiu 7,2%.

- VALE ON subiu 0,95%, após alta dos contratos de minério de ferro na Ásia, com maior demanda por reconstrução de estoques na China, apesar dos renovados controles de produção de aço na cidade de Tangshan. Siderúrgicas cederam e BRADESPAR PN avançou 0,24%.

- BRASKEM PN caiu 4,8%, após a Exame noticiar que oferta de ações preferenciais da companhia por Novonor e Petrobras deve ocorrer ainda em janeiro.

- ECORODOVIAS ON caiu 1%, após o Credit Suisse elevar recomendação da companhia para "outperform", de "neutra".

(Por Andre Romani)

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