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Desastres naturais custaram US$120 bi a seguradoras em 2021, diz Munich Re

10/01/2022 13h08

Por Tom Sims e Alexander Hübner

FRANKFURT (Reuters) - Marcado por furacões e ondas de frio nos Estados Unidos, 2021 foi o segundo ano mais custoso na história para seguradoras no mundo, disse a Munich Re nesta segunda-feira, alertando para eventos extremos mais prováveis devido às mudanças climáticas.

As seguradoras perderam 120 bilhões de dólares em catástrofes naturais no ano passado, atrás apenas dos 146 bilhões em danos em 2017 -- outro ano repleto de furacões.

A contagem da Munich Re, maior resseguradora do mundo, é maior do que uma estimativa de 105 bilhões de dólares que a concorrente Swiss Re divulgou no mês passado.

Os EUA, assolados por dezenas de tornados em dezembro e pelo furacão Ida e por nevascas no Texas no início de 2021, foram responsáveis ​​por grande parte das perdas, disse a Munich Re.

"As imagens de desastres naturais em 2021 são perturbadoras. As pesquisas climáticas confirmam cada vez mais que as condições meteorológicas extremas ficaram mais prováveis", disse Torsten Jeworrek, membro do conselho de administração da Munich Re.

Quase 10 mil pessoas morreram em catástrofes naturais, número em linha com os anos anteriores. As perdas totais, incluindo aquelas não cobertas por seguro, foram de 280 bilhões de dólares, o quarto maior resultado já registrado. O furacão Ida, que causou danos das cidades norte-americans de Nova Orleans a Nova York, resultou em 36 bilhões de dólares em perdas de segurados. Já a tempestade de inverno que atingiu principalmente o Texas resultou em perdas de cerca de 15 bilhões de dólares. As inundações na Alemanha também custaram bilhões.

"As estatísticas de desastres de 2021 são impressionantes, porque alguns dos eventos climáticos extremos são do tipo que provavelmente se tornará mais frequente ou mais severo como resultado da mudança climática", disse Ernst Rauch, chefe de clima e geocientista da Munich Re.

Muitos cientistas concordam que os eventos em 2021 foram exacerbados pela mudança climática e que há mais - e pior - por vir, à medida que a atmosfera da Terra continua a aquecer na próxima década e além. O ano mais custoso já registrado foi 2017, que teve os furacões Harvey, Irma e Maria. Outros anos severos foram 2011, quando grandes terremotos atingiram o Japão e a Nova Zelândia, e 2005, quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans. Em alguns casos, as seguradoras aumentaram os preços das apólices, dada a crescente probabilidade de desastres, enquanto em alguns lugares pararam de fornecer cobertura.

(Reportagem de Tom Sims e Alexander Huebner)

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