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Dólar à vista fecha em leve alta em dia de liquidez minguada e sem EUA

17/01/2022 17h51

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar teve leve alta nesta segunda-feira, dia em que o mercado ficou à mercê de fluxos pontuais sem a referência das operações nos Estados Unidos, em que as bolsas de valores não operaram por um feriado.

Ao fim dos negócios no mercado à vista, o dólar subiu 0,26%, a 5,5271 reais.

A moeda norte-americana até chegou a cair mais cedo --operou em baixa de 0,32% na mínima, a 5,4946 reais. As vendas predominaram logo após o começo do pregão, quando o mercado reagiu positivamente a dados melhores que o esperado sobre o IBC-Br de novembro. Mas a liquidez menor e um tom ligeiramente mais forte do dólar no exterior terminaram por puxar a moeda para cima posteriormente e até o fechamento.

Pouco menos de 111 mil contratos de dólar futuro haviam sido negociados na B3 até o momento, 55% abaixo da média de segundas-feiras ao longo de 2021. Pelos dados da clearing de câmbio também da B3, menos de 400 milhões de dólares haviam sido contratados até o momento, 67% a menos, na mesma base de comparação.

À parte a segunda de poucos negócios, o foco doméstico durante a semana se volta para pressões de servidores do governo por reajustes salariais e a sanção do Orçamento 2022.

"O ponto alto da semana na Esplanada (dos Ministérios) é a expectativa de paralisação do funcionalismo público, que a cada dia ganha mais adesões. Mesmo às vésperas da primeira manifestação, o governo ainda não indicou qual estratégia seguirá para contemplar a categoria, mas cresce a expectativa que venha a existir de fato um aumento linear para todos os servidores, mesmo sem a concordância no Ministério da Economia", disse a Renascença.

"Com as notícias de cortes de valores não acordados que foram incluídos na LOA pelas pastas, pode ser que o Executivo venha trabalhando em vetos à peça orçamentária que permita esse aumento que, segundo os noticiários, pode chegar em até R$ 4 bilhões", completou.

A atenção do mercado a esses pontos se justifica pelo receio persistente em torno de aumentos de gastos --com previsões gerais de piora do déficit fiscal em 2022, ano eleitoral--, num momento em que investidores acompanham declarações de pré-candidatos à Presidência da República e de integrantes de equipes acerca do tema.

"Em tese, olhando para o dólar no mundo, o segundo semestre poderia trazer algum respiro para o Brasil, porque seria um momento de aceleração do crescimento mundial. Mas aí esbarramos com as eleições aqui", disse Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. "Algum tipo de cenário mais claro para o dólar só em 2023", adicionou.

Para o Itaú Unibanco, o real seguirá "historicamente depreciado" com as incertezas externas e domésticas. A instituição manteve estimativas de taxa de câmbio de 5,50 por dólar ao fim de 2022 e 5,75 por dólar em 2023.

"Mesmo com elevação da taxa Selic, o cenário global (com aumento da taxa básica de juros americana diante das pressões inflacionárias) e as incertezas relacionadas à evolução das contas públicas nos próximos anos impedem uma expressiva apreciação da moeda nos próximos anos", disse.

"O real deve se manter em patamar historicamente depreciado depois de ter terminado o ano de 2021 em 5,57 por dólar", afirmou o Itaú em relatório de cenário macro para Brasil assinado pelo departamento de pesquisa macroeconômica do banco, chefiado pelo ex-diretor do Banco Central Mario Mesquita.