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Protesto por reajuste foi recado ao governo e pode haver greve em fevereiro, diz representante de servidores

18.jan.2022 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi alvo de críticas em protesto de servidores por aumento salarial, em Brasília - Weudson Ribeiro/UOL
18.jan.2022 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi alvo de críticas em protesto de servidores por aumento salarial, em Brasília Imagem: Weudson Ribeiro/UOL

Bernardo Caram e Marcela Ayres

Da Reuters, em Brasília

18/01/2022 19h02

Após o encerramento dos atos de servidores públicos federais nesta terça-feira em busca de reajuste salarial, o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, afirmou que os protestos foram um recado inicial dado ao governo, ressaltando que uma greve por tempo indeterminado está no cardápio de ações caso não haja avanço nas negociações.

Entidades que representam carreiras do funcionalismo promoveram duas manifestações em Brasília nesta terça, em movimento que se somou à entrega de cargos de chefia em parte das categorias e redução na prestação de serviços.

"O balanço é positivo, a nossa intenção era justamente dar o recado ao governo. A bola agora está com eles, conseguimos mostrar aos servidores o tamanho das perdas salariais sofridas e eles estão acompanhando e esperando a resposta do governo", disse à Reuters o presidente do Fonacate.

Marques reconheceu que a presença de servidores nos protestos não foi alta, mas disse que foi algo esperado por conta do avanço da variante Ômicron do coronavírus.

"A gente não teve uma super presença, até por conta do contexto da pandemia, foram no máximo mil pessoas nos atos do Ministério da Economia e do Banco Central, mas vimos um engajamento muito grande de servidores nas redes", afirmou.

A entidade enviou ofício ao ministro Paulo Guedes solicitando uma audiência para abrir as negociações, mas ainda não houve resposta da pasta. Procurado, o Ministério da Economia não se manifestou de imediato.

Guedes teve reuniões internas nesta terça com secretários que acompanham os movimentos do funcionalismo, além de um almoço com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que também enfrenta protesto de servidores.

De acordo com uma fonte do Ministério da Economia a par das conversas, é muito difícil que o governo encontre espaço no Orçamento para concessão de aumentos. Segundo esse interlocutor, ainda é necessário acompanhar o desdobramento das manifestações e pressões futuras.

De acordo com o Fonacate, as perdas salariais para a inflação entre 2017 e 2021 chegam a 28%. Marques afirmou que a categoria tem consciência de que não é viável repor toda essa perda, mas disse ser possível haver uma recomposição linear de 10% a um custo anual de 24 bilhões de reais.

Pelas contas do Ministério da Economia, para cada ponto percentual de reajuste ao funcionalismo, o impacto é de aproximadamente 3 bilhões de reais ao ano.

Na próxima semana, carreiras de servidores farão reuniões virtuais para discutir a continuidade da mobilização. No dia 2 de fevereiro, está previsto outro ato presencial em Brasília, dessa vez em frente ao Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o dirigente sindical, se não houver resposta do governo ou avanço nas negociações, a categoria discutirá em fevereiro a realização de greve por tempo indeterminado.

O gatilho que deflagrou os movimentos foi a autorização dada pelo governo, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, para reajustar salários de policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários. A medida gerou insatisfação em outras carreiras, que estão com remuneração congelada no atual mandato e não foram beneficiadas pela atual decisão.

No Orçamento deste ano aprovado pelo Congresso, foi reservado 1,7 bilhão de reais para conceder aumento apenas às categorias de segurança pública. O governo afirma que ainda não foi batido o martelo sobre o tema. O presidente tem até sexta-feira (21) para decidir sobre a sanção do projeto de Orçamento de 2022.