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Fed tenta equilibrar riscos econômicos com pressa do mercado por aperto monetário

24/01/2022 11h30

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve pode não elevar os juros até março, mas a linguagem mais dura das autoridades com relação à inflação já está aparecendo, com os custos de empréstimo subindo para todos, desde compradores de moradias até o governo federal, e os mercados de ações começando o ano no vermelho.

O ritmo desse ajuste agora impõe uma questão inesperadamente urgente às autoridades do banco central norte-americano para sua próxima reunião de política monetária, que dura dois dias, desta semana: os mercados financeiros estão se apertando muito rápido para o pretendido pelo Fed em sua batalha inflacionária, ou é o Fed quem está subestimando o que, em última análise, seria necessário para diminuir o ritmo de alta nos preços?

Em suas projeções mais recentes, divulgadas em dezembro, as autoridades disseram esperar até três aumentos de 0,25 ponto percentual cada nos juros neste ano, com mais altas em 2023 e 2024. Mas essas projeções nunca elevam os juros "overnight" do Fed acima do nível "neutro", o que realmente restringiria a economia.

No entanto, a previsão ainda é de queda na inflação, um resultado "na melhor das hipóteses" que alguns analistas consideram irrealista.

"Os EUA estão enfrentando a inflação mais alta desde 1982 e há evidências convincentes de que uma boa parte dela persistirá. O Fed nunca respondeu tão lentamente... e até hoje está sinalizando um ciclo de alta de juros benigno", escreveu Ethan Harris, chefe de pesquisa global do Bank of America. "O maior risco de curto prazo está bem à nossa frente: de que o Fed está seriamente atrás da curva e precisa começar a levar a sério."

Isso pode significar até seis aumentos de 0,25 ponto percentual cada neste ano, disse ele, e um rápido impulso para que a taxa das Fed Funds, que está atualmente perto de zero, chegue a 3%. Essa seria a taxa de juros mais alta desde que o Fed começou a cortar os custos dos empréstimos no início da crise financeira de 2007 a 2009, e o suficiente, de acordo com as estimativas atuais, para realmente conter o crescimento econômico, o emprego e a inflação.

A pandemia continua. Embora a expectativa de algumas autoridades de saúde seja de que o atual surto impulsionado pela variante Ômicron recuará em breve, até o momento, ele tem diminuído a contratação e reprimido a recuperação econômica.

Alguns economistas agora preveem que a economia dos EUA acabará perdendo empregos em janeiro e fevereiro. Isso deixaria o Fed com a difícil escolha de aumentar os juros em março diante de um declínio no emprego.

Mesmo uma queda temporária relacionada à Ômicron mantém vivas as preocupações de que o Fed neste ano enfrentará não o melhor, mas o pior dos dois mundos, na forma de uma economia em desaceleração e uma inflação que precisa de medidas ainda mais duras do que as preparadas pelas autoridades.

(Reportagem de Howard Schneider)