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Ibovespa cai com correção e Petrobras, mas tem maior ciclo de altas semanais desde junho

28/01/2022 18h59

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice brasileiro de ações caiu nesta sexta-feira, em correção após três altas seguidas, enquanto as bolsas em Wall Street reagiram após perdas recentes.

A queda do índice local foi influenciada por recuo forte das ações da Petrobras, enquanto papéis do setor financeiro e da Braskem estiveram na ponta oposta.

O Ibovespa caiu 0,62%, a 111.910,10 pontos, mas subiu 2,7% na semana, a terceira seguida de alta, maior sequência positiva desde junho. O volume financeiro foi de 32 bilhões de reais.

Lucas Carvalho, analista de investimentos da Toro, diz que o Ibovespa foi impactado por "cenário indefinido no exterior", com queda das bolsas na Europa e avanço nos EUA, e "uma correção técnica, após altas fortes nos últimos pregões".

O movimento de correção abarcou principalmente papéis relacionados ao consumo interno, que haviam tido performance positiva recentemente.

Os principais índices de ações em Wall Street aceleraram ganhos no final -- com o Nasdaq subindo 3,1%. Na semana, o desempenho também foi positivo. Já o índice europeu STOXX 600 caiu 1% nesta sexta-feira e teve a pior semana em mais de dois meses.

Investidores globais seguem digerindo a postura mais dura do Federal Reserve, com expectativa para elevação de juros em março e outras quatro altas ainda neste ano. Tensões geopolíticas seguem no radar, assim como os balanços corporativos.

No Brasil, a temporada de divulgação de resultados pelas empresas começa na semana que vem e Cielo e Santander Brasil estão entre os primeiros nomes a apresentarem seus balanços.

Para Carvalho, da Toro, a temporada pode ser capaz de definir um rumo mais claro para o Ibovespa, inclusive potencialmente alongando o desempenho positivo recente.

O dia também foi de divulgação de uma série de dados macroecômicos no Brasil. Destaque para a queda na taxa de desemprego, mas com corrosão do rendimento real habitual, e para o índice de preços IGP-M, que subiu menos do que o esperado pelo mercado em janeiro. Dados de crédito e fiscais também foram revelados.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN caiu 4%, maior queda desde novembro, enquanto a ON cedeu 3%, apesar de alta do petróleo. Para analistas, pesou o movimento geral de correção na bolsa e do papel -- que está próximo de máximas históricas -- e pelo adiamento da oferta de ações da Braskem pela companhia em conjunto com a Novonor. De pano de fundo, repercutiu uma fala de Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a presidência, sobre o preço do combustível brasileiro não precisar acompanhar preços internacionais.

- BRASKEM PNA subiu 7,5%, depois que a Petrobras e a Novonor adiaram a oferta pública secundária de ações da companhia. A estatal citou níveis de demanda e preço não apropriados para a conclusão da transação.

- MAGAZINE LUIZA ON teve queda de 7,1%, interrompendo três sessões de alta. AMERICANAS ON cedeu 6,2% e VIA ON caiu 1,1%.

- VALE ON caiu 1% e siderúrgicas tiveram desempenhos mistos, mesmo após preço do minério de ferro avançar mais de 7% em Dalian, na China, antes de feriado.

- MÉLIUZ ON caiu 4,1%, após avançar na abertura, após prévia operacional da empresa. As vendas brutas da Méliuz cresceram 77% no quarto trimestre ante mesmo período de 2020. Outras empresas ligadas ao setor de tecnologia também recuaram, como INTER UNIT, que cedeu 3,9%.

- HAPVIDA ON avançou 2,3% e INTERMÉDICA ON subiu 1,6%, após tombo da véspera por conta de leilão de ações de Intermédica.

- ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,35% e BRADESCO PN evoluiu 1,44%. BANCO DO BRASIL ON ganhou 0,6%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT caiu 2,3%.

- RUMO ON caiu 5,4%, maior queda desde março de 2021. A XP se mostrou cautelosa com a ação no curto prazo, ante a expectativa de resultado negativo no quarto trimestre, preços do diesel afetando as margens e assimetria no valuation.

(Por Andre Romani)