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Em reunião sem acordo, PSB tenta aumentar espaço em federação, mas enfrenta resistência de PT, PCdoB e PV

10/02/2022 21h08

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Uma nova reunião para tentar acertar a formação de uma federação entre PT, PSB, PV e PCdoB terminou ainda sem acordo, depois de o PSB apresentar propostas para mudar a fórmula de cálculo da chamada assembléia, que irá coordenar o grupo de partidos, em uma tentativa de evitar uma hegemonia do PT no comando da federação.

PT e PSB, os dois maiores partidos do grupo, vêm mantendo uma disputada acirrada e palmo a palmo tanto na organização da federação como nas alianças regionais, especialmente em São Paulo, em que Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) disputam o direito de candidatura a governador.

No modelo negociado até agora, a assembleia seria formada com base no tamanho das bancadas eleitas no Congresso, o que daria ao PT, --segunda maior bancada na Câmara-- 27 dos 50 lugares, seguido do PSB, com 15, e PV e PCdoB ficariam com quatro cada.

Na reunião desta quinta, o PSB trouxe a ideia de colocar nesta conta o número de prefeitos e vereadores eleitos, em que o partido está na frente do PT e poderia dar a eles três ou quatro vagas a mais na assembleia. Nenhum dos outros três partidos, no entanto, topou, ao menos por enquanto, a mudança. ]

Ao dar entrevista ao final do encontro, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, não quis dar detalhes da negociação. Disse apenas que avançou, mas decisões não foram tomadas e um novo encontro foi marcado para daqui a 10 dias.

À Reuters, uma fonte afirmou que a proposta não deve avançar.

"Vereadores não faz sentido numa federação nacional. Não passa. Prefeitos também acho que não, a não ser prerrogativa de se candidatar à reeleição", disse a fonte, que estava na reunião. "Prefeitos e senadores são eleições majoritárias, 'borram' a proporcionalidade."

Apesar da divergência, membros dos partidos classificaram o encontro como bom e garantem que a federação sai.

"Foi bom, dentro do esperado. Existe uma firme determinação de todos, em fazer, um sentido de vencer e sustentar o novo governo", disse a fonte.

ACORDOS REGIONAIS

Mais do que as regras da federação, o que ainda não andou a contento --e pode influenciar diretamente no acordo nacional-- são as alianças regionais. Apesar de o PT já ter aberto mão da candidatura ao governo de Pernambuco e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter declarado o apoio a Marcelo Freixo ao governo do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e, principalmente São Paulo, ainda dependem de acertos.

Ao terminar a reunião, Siqueira deixou claro que, mesmo que a direção aprove as regras, são os acordos regionais que irão garantir a federação.

"Quem aprova nossas regras é o diretório nacional, e os Estados que reivindicam o apoio do PT tem uma representação muito forte no diretório nacional. Então, as regras podem ficar boas, mas se o problema político-eleitoral não for resolvido a contento, ela vai ter uma influência reflexa na federação, seja quais forem as regras", disse.

Na sexta-feira, a direção nacional dos quatro partidos terá uma reunião com os diretórios do Rio Grande do Sul para avançar em uma solução no Estado, em que o PSB apresentou a candidatura de ex-deputado federal Beto Albuquerque e o PT a do deputado estadual Edegar Pretto.

O grande nó no acordo, no entanto, está em São Paulo, com Haddad e França disputando o governo do Estado. Nenhum dos dois partidos, até agora, admitiu ceder.