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Heineken põe em dúvida meta de margem para 2023 por alta da inflação

16/02/2022 16h48

Por Philip Blenkinsop

BRUXELAS (Reuters) - A Heineken lançou dúvidas sobre sua meta de margem de lucro de médio prazo devido ao impacto incerto da inflação no consumo de cerveja em seus mercados de operação, depois de relatar resultado mais forte que o esperado em 2021 por conta de preços mais altos e redução de custos.

A segunda maior cervejaria do mundo disse nesta quarta-feira que a pandemia ainda afetaria a receita da empresa em 2022 e disse que o impacto da inflação e das pressões na cadeia de suprimentos será significativo.

A companhia disse que compensará os aumentos de custos de insumos com preços mais altos, mas isso pode levar a um menor consumo de cerveja.

O presidente-executivo, Dolf van den Brink, disse que os mercados emergentes normalmente se mostram mais resilientes na absorção de aumentos de preços.

"Este tipo de aumento de preços e inflação eu acho que não vimos em uma geração", disse o executivo. "A grande incerteza é como isso vai afetar os mercados desenvolvidos que nunca viram este tipo de precificação."

A cervejaria holandesa disse que os custos dos insumos aumentarão cerca de 15%, com a cevada dobrando o preço em relação a um ano atrás e o alumínio avançando cerca de 50%. Os custos de energia e frete também aumentaram acentuadamente.

A empresa disse esperar que sua margem de lucro operacional em 2022 seja igual ou fique ligeiramente acima dos 15,6% alcançados em 2021.

A Heineken previa margem de lucro operacional de 17% em 2023, mas há "aumento da incerteza" devido à inflação e seu impacto nos gastos do consumidor. A empresa agora pretende atualizar sua previsão para 2023 no decorrer deste ano.

A Heineken lançou um programa de economia de custos de 2 bilhões de euros há um ano para aumentar as margens até 2023, com os 1,3 bilhão de euros alcançados até o momento já ajudando a elevar o lucro.

A companhia vendeu 4,6% mais cerveja em 2021, com alta em todas as regiões, exceto na Ásia. Aumentos de preços e uma mudança de foco para produtos mais caros impulsionaram a receita líquida em 12,2%.

O lucro operacional subiu 43,8% em uma base comparável, para 3,41 bilhões de euros, acima do consenso do mercado compilado pela empresa, de 3,30 bilhões, mas ainda abaixo do nível pré-pandemia de 2019.