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Dólar tem leve queda antes de Fed e Copom; China e negociações Rússia-Ucrânia acalmam sentimento

16/03/2022 09h08

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar perdia terreno contra o real nesta quarta-feira, embora tenha se afastado das mínimas do dia, antes das decisões de política monetária dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos, enquanto sinais de avanço nas negociações de paz Rússia-Ucrânia e novo apoio da China aos mercados de capitais pareciam ajudar a confiança dos investidores.

Às 10:03 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,17%, a 5,1496 reais na venda, desacelerando as perdas em relação à mínima do dia, quando caiu 0,79%, a 5,1179 reais.

Na B3, às 10:03 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,27%, a 5,1725 reais.

A moeda norte-americana também registrava perdas no exterior, com o índice do dólar frente a uma cesta de pares fortes em baixa de 0,3%. Ao mesmo tempo, divisas consideradas arriscadas, como dólar australiano, peso mexicano e rand sul-africano, apresentavam ganhos.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, disse à Reuters que atribui o sentimento ameno desta manhã a notícias de que a China implementará medidas favoráveis para seus mercados de capitais e se esforçará para chegar a um acordo sobre uma cooperação de supervisão de auditoria com os EUA.

"Isso, além do aparente avanço nas negociações de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, está trazendo otimismo", afirmou ele.

Os dois lados envolvidos na guerra enfatizaram nesta quarta-feira novas possibilidades de acordo, à medida que as negociações de paz são retomadas após quase três semanas completas desde a invasão da Ucrânia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse que as negociações estão se tornando "mais realistas", enquanto o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que há "alguma esperança de compromisso".

Isso parecia acalmar o sentimento global antes das decisões de bancos centrais nesta "super" quarta-feira, incluindo do Federal Reserve. A autoridade monetária-norte-americana deve anunciar, às 15h (de Brasília), aumento de 0,25 ponto percentual nos juros, o primeiro em três anos, numa tentativa de domar a inflação recorde.

"A tendência é o foco dos investidores mudar ao longo do dia para a reunião do Fed", disse Rostagno. "Embora já seja largamente esperado o aumento dos juros, as projeções que serão divulgadas são importantes, já que darão uma ideia sobre o número e o ritmo dos ajustes na política monetária ao longo do ano."

Custos de empréstimos mais altos na maior economia do mundo tendem a beneficiar o dólar globalmente, mas especialistas argumentam que o patamar elevado da taxa Selic é um colchão para o real.

Ainda nesta quarta-feira, após o fechamento dos mercados locais, o Banco Central do Brasil deve aumentar os juros básicos em 1 ponto percentual, a 11,75% ao ano, segundo pesquisa da Reuters com economistas. E, nos mercados financeiros, há agentes que esperam dose ainda mais agressiva de aperto diante das crescentes pressões inflacionárias representadas pelo salto dos preços das commodities.

A disparada dos contratos futuros de produtos como petróleo, milho, trigo e minério de ferro após a invasão da Ucrânia foi apontada como fator de impulso para moedas de países exportadores de commodities recentemente, principalmente na América Latina, vista como menos vulnerável às tensões geopolíticas.

Nos últimos dias, no entanto, o rali dos preços parecia fazer uma pausa, e o Citi disse em relatório desta quarta-feira que "o desempenho superior (das moedas) da América Latina pode diminuir enquanto as commodities recuam" de máximas em vários anos.

A moeda norte-americana à vista fechou a terça-feira em alta de 0,75%, a 5,1584 reais, valor mais alto desde 17 de fevereiro (5,1668 reais).