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Lucro da M. Dias Branco cai 28% no 4º tri; aposta em estoques para cenário adverso em 2022

18/03/2022 19h36

Por Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) - A M. Dias Branco reportou nesta sexta-feira lucro líquido de 151,1 milhões de reais para o quarto trimestre de 2021, queda de 27,7% no comparativo anual, e aposta em sua estratégia de estoques enquanto monitora o conflito na Ucrânia, que afetou os preços de seu principal insumo, o trigo.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) alcançou 182,7 milhões de reais no último trimestre do ano passado, recuo de 4,9%.

O diretor executivo de Relações com Investidores e Novos Negócios da M. Dias, Fabio Cefaly, disse à Reuters que a empresa --líder nos mercados de biscoitos e massas no Brasil-- está encarando com serenidade o cenário de mercado desencadeado pela guerra.

"Nós não compramos trigo da Rússia, nem da Ucrânia. Já fizemos compras pontuais, mas não existe um fluxo de compras com esses países", afirmou o executivo, citando que seus principais fornecedores do cereal são Argentina, Estados Unidos e Canadá, além do produto nacional.

"Temos quatro meses de estoque, o que nos dá tempo para aguardar os acontecimentos", acrescentou.

Ele disse que a companhia mantém tradicionalmente este nível de reservas, pensando na garantia da principal matéria-prima da empresa. "Não pensamos em uma guerra, mas pensamos no limite dos riscos".

Questionado sobre a possibilidade de novos reajustes ao portfólio de produtos, Cefaly afirmou que, se necessário, os preços serão ajustados "à luz do contexto".

Somente no ano passado, o aumento no custo médio em reais foi de 31,5% para o trigo, 61,4% para o óleo de palma e 35% para o açúcar, conforme balanço da M. Dias.

A Rússia é um dos principais exportadores globais de trigo. Após o início da invasão à Ucrânia, os efeitos sobre o comércio no Mar Negro levaram as cotações globais do cereal a máximas de 14 anos na Bolsa de Chicago.

"Um ponto favorável é que o real apreciou... temos o efeito do preço da commodity e do câmbio, agora talvez o câmbio nos ajude", pontuou.

No mercado doméstico, a avaliação é de que a situação do consumidor ainda encontra-se difícil, especialmente pelo patamar de inflação que corrói a renda da população.

"Ao mesmo tempo estamos atentos ao cenário macroeconômico do Brasil e externo", disse ele, ressaltando que a questão inflacionária doméstica torna o pano de fundo mais complexo para fazer "movimentos necessários" na empresa.

BALANÇO

No acumulado de 2021, a empresa viu o lucro líquido baixar 33,9%, para 505 milhões de reais, e o Ebitda marcar queda de 29,8%, a 683,9 milhões.

De acordo com Cefaly, a diminuição do Ebitda é fruto do aumento de custo com commodities usadas na matéria-prima, câmbio, queda dos volumes comercializados e efeitos não recorrentes que impactaram o resultado de forma positiva em 2020.

"Como nosso endividamento é muito baixo, o lucro acompanha o Ebitda", afirmou ele.

Em receita, o executivo destacou que houve crescimento no ano (7,7%) e no trimestre (27,2%), em função, principalmente, do aumento de dois dígitos dos preços médios no portfólio de produtos para repasse dos custos.

Por outro lado, o reajuste nos preços praticados pela companhia afetou o volume comercializado, que baixou 14,3% no ano, para 1,7 milhão de toneladas. Segundo Cefaly, os principais ajustes na precificação dos produtos foram feitos no primeiro trimestre, e a recuperação nas vendas ocorreu gradativamente desde então, até o fim de 2021.

"Houve um processo de negociação mais complicado com os clientes. De lá pra cá isso foi melhorando e conseguimos no final do ano uma recuperação", disse.

Apesar das adversidades internas e externas, o executivo considera que o balanço da companhia está forte, o que a habilita para fazer novos investimentos.

(Por Nayara Figueiredo)