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Após 6 meses, Ibovespa retoma 116 mil pontos com impulso de commodities e bancos

21/03/2022 17h49

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa brasileira avançou nesta segunda-feira pela quarta sessão consecutiva e voltou a fechar acima dos 116 mil pontos depois de seis meses, apesar da queda das ações em Wall Street por postura mais dura do presidente do banco central norte-americano contra inflação.

Vale, Petrobras e Itaú Unibanco puxaram a alta do Ibovespa, enquanto Suzano e B3 ficaram na ponta oposta.

O Ibovespa avançou 0,73%, a 116.154,53 pontos, o primeiro fechamento acima dos 116 mil pontos desde 14 de setembro. O volume financeiro foi 25,7 de bilhões de reais.

"Vamos ter uma comprovação daqui alguns dias (quando saem os dados oficiais), mas acredito que seja um fluxo estrangeiro puxando Ibovespa, semelhante ao que vimos no começo do ano", diz Adriano Yamamoto, diretor comercial da corretora do C6 Bank. Ele observou que o investidor de fora do país costuma procurar ações de commodities e de bancos.

"Quem vai ditar o fluxo da bolsa é o estrangeiro", acrescenta ele. "Não vejo fluxo local que saiu da bolsa voltando", dada a atual incerteza com a atividade econômica e os níveis altos dos juros.

O Ibovespa chegou a reduzir boa parte dos ganhos no início da tarde, após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, adotar postura lida como mais dura contra a inflação. Ele disse que o banco central norte-americano deve agir "rapidamente" para combater alta dos preços e afirmou que podem ocorrer elevações de juros maiores do que 0,25 ponto percentual.

A declaração pesou sobre as bolsas norte-americanas, cujos principais índices fecharam no vermelho. O Nasdaq Composite e o Dow Jones caíram 0,4% e 0,6%, respectivamente, e foram destaques negativos.

No Brasil, a afirmação pressionou as ações de tecnologia e consumo, segundo Bruna Marcelino, estrategista-chefe da Necton Investimentos. Os setores são vistos como de "crescimento" e, portanto, mais sensíveis aos juros.

A guerra na Ucrânia também segue no radar do mercado, diante da manutenção dos conflitos e avanço lento nas negociações de paz.

A ata da última reunião de política monetária do Banco Central brasileiro será divulgada na terça-feira.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN e ON avançaram 3,8% e 3,4%, respectivamente, diante da alta de 7,1% do petróleo Brent, sob influência de potenciais sanções da União Europeia ao petróleo russo, ainda que os governos do bloco discordem sobre o assunto, e de ataque a instalações na Arábia Saudita. 3R PETROLEUM ON subiu 3,7% e PETRORIO ON avançou 1%.

- VALE ON valorizou-se 2,8%, quarta alta seguida, depois de avanço tímido do preço do minério de ferro na China, enquanto futuros do vergalhão de aço fecharam estáveis. CSN ON teve acréscimo de 2,6% e GERDAU PN cedeu 0,4%. BRADESPAR PN, que tem participação em Vale, apontou ganhos de 3,5%.

- ITAÚ UNIBANCO PN liderou fortalecimento dos grandes bancos de varejo e fechou em 2,5% no positivo. BRADESCO PN, BANCO DO BRASIL ON e SANTANDER BRASIL UNIT subiram mais de 2% cada.

- INTER UNIT afundou 8,9%, MÉLIUZ ON desvalorizou-se 3,6% e BTG PACTUAL UNIT apontou decréscimo de 2,5%, enquanto NATURA ON perdeu 3,6% e PETZ ON caiu 3,8%.

- SUZANO ON diminuiu 3,7%, apesar de ter comunicado clientes sobre aumentos de até 100 dólares nos preços da celulose a partir de abril. A rival KLABIN UNIT, que anunciou reajuste de até 125 dólares, caiu 2,5%. Os dois papéis são influenciados negativamente pela queda do dólar ante o real.

- ELETROBRAS ON cedeu 1,2%, após a estatal divulgar lucro líquido no quarto trimestre de 610 milhões de reais, queda de 52% no comparativo anual.

- JBS ON subiu 0,8%. A empresa divulga balanço após o fechamento do mercado. Entre outras empresas que publicam seus números nesta segunda-feira, ENEVA ON caiu 3,5%, interrompendo quatro sessões de alta, e UNIDAS ON perdeu 2%.

- MULTIPLAN ON subiu 1,9%, quarta alta seguida, após analistas do BTG Pactual elevarem a recomendação do papel de "neutra" para "compra".