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Ibovespa tem 7a salta com Wall Street e expectativa por juro; Magazine Luiza salta 10%

24/03/2022 18h04

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa de valores de São Paulo emendou a sétima alta seguida nesta quinta-feira, apoiada no desempenho positivo em Wall Street e no alívio na curva de juros local.

Vale e Magazine Luiza foram as principais contribuições positivas ao índice, enquanto a operadora de saúde Hapvida ficou na ponta oposta.

O Ibovespa subiu 1,36%, a 119.052,91 pontos, maior fechamento desde 1º de setembro. O volume financeiro da sessão foi de 31 bilhões de reais.

A última sequência de altas similar ocorreu em fevereiro, com sete sessões no azul. Antes disso, apenas entre maio e junho de 2021, quando o índice engatou oito pregões no positivo -- e alcançou as máximas históricas.

Leonardo Milane, estrategista-chefe da VLGI Investimentos, viu um movimento mais técnico na sessão, citando recuperação do índice após queda recente, fluxo estrangeiro e investidores que estavam vendidos (posicionado para lucrar com a queda de um papel) tendo que fechar posições .

Na cena local, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou sinais de que a instituição pretende encerrar o ciclo de alta dos juros em maio.

A curva de juros aliviou e o Ibovespa ganhou terreno, com analistas citando também influência do cenário externo. O dólar teve nova queda ante o real.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do BV, essa indicação de Campos Neto já estava na ata da última reunião de política monetária do BC, mas ajudou as ações nesta sessão.

Mesmo após a ata, divulgada na terça-feira, apostas de uma alta adicional na Selic em junho mantiveram-se por bancos e casas de análise, diante da perspectiva de potencial piora no cenário inflacionário em meio à guerra na Ucrânia.

"Ninguém sabe até onde vai o juro, porque ninguém sabe quando vai acabar a guerra", disse Milane.

O dia positivo em Wall Street, com alta das ações de tecnologia -- o Nasdaq avançou quase 2% -- também deu suporte ao mercado local.

Investidores ficaram atentos ao desenrolar de uma reunião de líderes de Otan, G7 e União Europeia. A Otan ofereceu à Ucrânia mais assistência militar e destacou mais tropas para seu flanco oriental, enquanto Reino Unido e Estados Unidos impuseram novas sanções à Rússia.

DESTAQUES

- HAPVIDA ON afundou 5,1%, maior queda desde janeiro. O lucro ajustado da operadora de saúde no quarto trimestre veio acima da projeção média de analistas, mas o Ebitda ficou abaixo do esperado. Analistas do BTG Pactual destacaram resultados fracos, com crescimento orgânico abaixo do estimado e pressões na margem de lucro.

- MAGAZINE LUIZA ON teve alta de 10%, a mais intensa desde novembro, INTER UNIT disparou 10,1%, MÉLIUZ ON subiu 9,1% e MRV ON ganhou 6,9%, em sessão positiva para ações sensíveis a juros, como as de varejo, tecnologia e construção.

- PETROBRAS PN ganharam 1,15% apesar de queda de mais de 2% no preço do petróleo. PETRORIO ON caiu 4,5%, interrompendo e 3R PETROLEUM ON ganhou 0,4%.

- VALE ON avançou 0,54%, após alta de 1,3% do minério de ferro na China. O aço inoxidável atingiu o pico desde 9 de março, após os preços do níquel atingirem limites de alta em Londres e Xangai. Ações de siderúrgicas subiram.

- LOCAWEB ON desabou 7,05%, após empresa sofrer prejuízo de 7,2 milhões de reais no quarto trimestre, ante lucro de 9 milhões um ano antes, apertada por maiores custos ligados a aquisições recentes de empresas.

- CCR ON saltou 7,5%, maior alta desde maio, após Votorantim e Itaúsa oferecerem 4,1 bilhões de reais pela fatia da Andrade Gutierrez na empresa. Para o JPMorgan, notícia é levemente positiva para CCR, já que a entrada de novo acionista com perfil investidor pode melhorar a estrutura de governança. ITAÚSA PN ganhou 1,1%.

- BRADESCO PN cresceu 1,5%, maior alta entre os grandes bancos. Mas SANTANDER BRASIL recuou 0,86%.

- COGNA ON subiu 3,1% e SABESP ON expandiu 0,9%. As duas empresas divulgam resultados nesta noite.

(Por Andre Romani)