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Ibovespa fecha estável com alívio na curva de juros e recuo de commodities; na semana, sobe 3,3%

25/03/2022 17h51

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado acionário brasileiro fechou estável nesta sexta-feira, com queda de ações vinculadas a commodities se contrapondo a ganhos de papéis ligados ao consumo, que acompanharam o alívio na curva de juros mesmo após dado de inflação acima do esperado.

Nos Estados Unidos, os principais índices de ações não tiveram direção única.

O Ibovespa teve variação positiva de 0,02%, a 119.081.13 pontos, após sete altas seguidas, acumulando ganhos de 3,27% na semana, a segunda seguida no positivo e o maior avanço desde janeiro. O volume financeiro da sessão foi de 30,7 bilhões de reais.

O IPCA-15 avançou 0,95% em março, acima da expectativa de 0,87%, segundo pesquisa da Reuters com analistas, em mais um dado de inflação que supera as previsões do mercado.

Economistas do Credit Suisse agora esperam que a Selic chegue a 14% neste ano -- atualmente está em 11,75% ao ano.

Apesar disso, a curva de juros fechou e trouxe alívio para ações incluindo de varejistas, empresas de tecnologia, operadoras de shoppings e construtoras, segundo agentes de mercado. Setores mais sensíveis aos juros já tinham sido beneficiados na véspera, após o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, indicar que o ciclo de alta da Selic deve se encerrar em maio.

"Esse choque que temos visto de preços acaba mantendo a pressão sob o Banco Central. Fica o questionamento se o BC vai levar a taxa Selic acima de 12,75%", diz Eduardo Teles, especialista em renda variável da Blue3. Ele lembrou que a instituição já sinalizou alta de 1 ponto percentual em maio.

O recuo dos contratos de juros futuros nesta sexta-feira acompanhou nova queda forte do dólar, enquanto analistas também citaram fluxo e o fato de Campos Neto ter reiterado o discurso sobre o fim do ciclo mesmo após o IPCA-15. A apreciação do real, por sua vez, pressionou empresas de commodities como Suzano e Klabin.

O índice teve pouco impulso de Wall Street, onde os principais índices acionários fecharam sem muito ímpeto e em direções opostas, com a guerra na Ucrânia e o aperto monetário no radar.

DESTAQUES

- COGNA ON decolou 19,5%, maior alta do papel desde o IPO em 2007, após a empresa apresentar melhora operacional no quarto trimestre e obter lucro líquido de 65 milhões de reais ante 4 bilhões de prejuízo no mesmo período do ano anterior. Analistas destacaram avanço do Ebitda, mas mostraram cautela com a recuperação dos negócios da Kroton. YDUQS ON, também de educação, subiu 9,1%.

- VALE ON caiu 1,7%, mesmo após o preço do minério de ferro saltar quase 4% na China, onde usinas siderúrgicas enfrentam dificuldades de acesso a matérias-primas em meio a medidas de isolamento social aplicadas por autoridades contra surtos de Covid-19.

- CYRELA ON, do setor imobiliário, saltou 6,8%. As varejistas AMERICANAS ON e VIA ON ganharam, respectivamente, 6,2% e 3,9%. A operadora de shoppings IGUATEMI UNIT teve alta de 3%.

- PETROBRAS PN recuou 0,4% e ON fechou com alta de 0,1%. O petróleo Brent subiu 1,4%, em reação a um ataque contra uma estrutura de distribuição de petróleo na Arábia Saudita. PETRORIO ON caiu 3,4% e 3R PETROLEUM ON avançou 1,3%.

- AZUL PN apontou acréscimo de 6,8% e GOL PN teve alta de 4%, em meio à queda do dólar, o que impacta positivamente as companhias aéreas.

- SABESP ON perdeu 2,8%, após queda de 31,7% no lucro líquido do quarto trimestre, em comparação ao mesmo período do ano anterior, com forte alta de custos e despesas, além de inadimplência.

- KLABIN UNIT diminuiu 6,1%, SUZANO ON mostrou queda de 6% e JBS ON desvalorizou-se 3,7%, com impacto da queda do dólar ante o real em exportadoras que têm parte da receita dolarizada.

- HAPVIDA ON subiu 4,3%, após queda de mais de 5% na véspera na sequência de resultado trimestral.