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Rússia deve evitar inadimplência após credores receberem pagamento de títulos

03/05/2022 08h52

Por Karin Strohecker e Sujata Rao

LONDRES (Reuters) - A Rússia deve evitar um calote soberano depois que os pagamentos vencidos de dois de seus eurobônus foram enviados a alguns de seus credores, disseram quatro fontes à Reuters nesta terça-feira.

Uma fonte familiarizada com o processo de pagamento, falando sob condição de anonimato, disse, nesta terça-feira, que os fundos haviam sido transferidos para alguns detentores de títulos na segunda-feira. Dois credores detentores dos títulos confirmaram que o dinheiro havia aparecido em suas contas.

Uma autoridade dos Estados Unidos confirmou, na segunda-feira, que Moscou fez o pagamento sem utilizar reservas congeladas nos EUA, acrescentando que a origem exata dos fundos não estava clara.

A Rússia fez, na semana passada, o que parece ser uma reviravolta tardia para evitar o default dos títulos, ao anunciar que pagou quase 650 milhões de dólares em cupons e principal aos detentores dos títulos antes do período de carência expirar em 4 de maio.

Os 40 bilhões de dólares em títulos internacionais da Rússia se tornaram o foco de um impasse financeiro entre as capitais ocidentais, que impuseram sanções severas ao país por causa de sua guerra na Ucrânia, e Moscou, que adotou contramedidas.

As restrições complicaram o pagamento de títulos soberanos e corporativos, com uma série de empresas e entidades estatais sem conseguir transferir fundos a tempo.

Os últimos pagamentos foram feitos após a tentativa da Rússia, no início de abril, de transferir fundos para detentores internacionais de suas reservas imobilizadas, o que foi interrompido por autoridades norte-americanas.

Moscou então transferiu o valor devido em rublos para contas onshore e disse considerar suas obrigações cumpridas. No entanto, investidores estrangeiros não conseguiram acessar o dinheiro por causa dos controles de capital russos.

Dado os termos especificados, os pagamentos devem ser feitos em dólares e a ação foi amplamente vista como uma inadimplência.

(Reportagem de Karin Strohecker e Sujata Rao em Londres, reportagem adicional de Marc Jones)