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Exportações superam importações em US$ 8,148 bi em abril, abaixo do esperado

O dado veio abaixo da expectativa de mercado, que projetava saldo positivo de US$ 9,726 bilhões para o período - Por Bernardo Caram
O dado veio abaixo da expectativa de mercado, que projetava saldo positivo de US$ 9,726 bilhões para o período Imagem: Por Bernardo Caram

Bernardo Caram

05/05/2022 15h05

BRASÍLIA (Reuters) - A balança comercial brasileira registrou superávit de 8,148 bilhões de dólares em abril, informou o Ministério da Economia nesta quinta-feira, em mês marcado por forte aceleração de preços dos produtos e redução dos volumes comercializados com o exterior.

O resultado é o segundo melhor para o mês da série histórica iniciada em 1998 com dados ajustados, perdendo apenas para o saldo de abril de 2021, que ficou positivo em 9,963 bilhões de dólares.

O dado veio abaixo da expectativa de mercado, que apontava saldo positivo de 9,726 bilhões de dólares para o período, segundo pesquisa Reuters.

O número do mês passado é resultado de 28,902 bilhões de dólares em exportações, que cresceram 16,7% em relação a abril de 2021, e 20,754 bilhões de dólares em importações, que registraram uma alta mais forte, de 35,7%.

Do lado das vendas brasileiras ao exterior, houve uma aceleração de 19,9% no preço médio dos produtos exportados, enquanto a quantidade vendida caiu 8% no período.

"Acreditamos que essa redução de volumes em abril seja pontual, não uma tendência. Tivemos um mês com menos dias úteis, vários feriados, o que afeta os embarques", disse o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão.

Ele destacou que a corrente de comércio de abril, de 49,656 bilhões de dólares, foi a maior para o mês da série histórica. As exportações também representaram recorde para o mês.

No recorte por setor, houve crescimento de 35,0% nas exportações da indústria de transformação e de 12,7% na agropecuária. A indústria extrativa teve valor médio reduzido em 10,2%.

A Ásia seguiu reforçando as compras do Brasil, ampliando sua participação nas exportações de 47,0% do total em abril de 2021 para 52,5% no mês passado. A fatia da América do Norte caiu de 13,6% para 12,4%, enquanto a Europa teve queda de 17,9% para 17,5% e a América do Sul, de 11,5% para 9,4%.

Nas importações, os preços médios saltaram 34,4%, ao passo que a quantidade comprada recuou 6,9%. Houve aceleração nos valores médios importados em todos os setores —58,1% na indústria extrativa, 35,5% na indústria de transformação e 33,0% na agropecuária. A divulgação das informações, inicialmente prevista para segunda-feira desta semana, foi feita com atraso por conta da operação padrão de servidores que pressionam o governo por reajustes salariais.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o saldo comercial ficou em 19,947 bilhões de dólares, recorde para o período, resultado de 101,185 bilhões de dólares em exportações e 81,238 bilhões de dólares nas importações.

Na divulgação dos dados de março, o Ministério da Economia revisou fortemente a projeção para o resultado da balança em 2022, impulsionada por melhor perspectiva para as exportações. De acordo com a estimativa da pasta, o saldo comercial do ano deve ficar positivo em 111,6 bilhões de dólares ante projeção de 79,4 bilhões de dólares feita em janeiro.