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Autoridades do Fed apoiam grandes aumentos de juros e dizem que taxa de desemprego pode subir

10/05/2022 15h21

Por Ann Saphir e Lindsay Dunsmuir

(Reuters) - O banco central dos Estados Unidos deve continuar a subir a taxa de juros em incrementos de 0,5 ponto percentual, dose acima do normal, para controlar a inflação, disseram autoridades do Federal Reserve nesta terça-feira, apesar de admitirem que isso pode significar um aumento no desemprego.

Os comentários mostram que os formuladores de política monetária do Fed estão, no momento, mais preocupados em controlar as pressões de preços do que em garantir que todo norte-americano que queira um emprego consiga um --ou pelo menos que sentem que não podem conseguir o último sem fazer o primeiro.

"Acho que 50 (pontos-base de alta) nas próximas duas reuniões fazem todo o sentido", disse a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, ao Yahoo Finance. "Pode muito bem ser que a taxa de desemprego tenha que subir um pouco, podemos obter mais um trimestre de crescimento negativo ou lento, mas isso terá que acontecer se quisermos reduzir a inflação."

Mas ela acrescentou não acreditar haver um "trade-off" entre as duas metas do banco central, de 2% de inflação e pleno emprego, "porque eu realmente acredito fundamentalmente que se não voltarmos à estabilidade de preços, não teremos mercados de trabalho sustentavelmente saudáveis ​​no futuro."

O presidente do Fed de Nova York, John Williams, falando mais cedo nesta terça-feira, concordou que o preço de reduzir a inflação pode ser um ligeiro aumento na taxa de desemprego, atualmente em 3,6% --indicativo de um mercado de trabalho que, sob várias métricas, é o mais forte em 50 anos.

"Quando penso em um 'pouso suave', é realmente uma questão de sim, podemos ver um crescimento abaixo da tendência por um tempo e definitivamente podemos ver o desemprego subir um pouco, mas não de maneira enorme", disse Williams em uma conferência de economia organizada pela banco central alemão em Eltville am Rhein, Alemanha. "Acho que esse é o desafio."

Os formuladores de política monetária do Fed estão lutando contra a inflação mais alta em 40 anos, conforme a demanda por mão de obra e produtos na economia doméstica supera a oferta restrita, que foi agravada pelos lockdowns contra a pandemia na China e pela guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Um relatório de quarta-feira deve mostrar que os preços ao consumidor norte-americano continuaram a avançar em um ritmo anual de mais de 8% em abril.

Na semana passada, o Fed elevou sua taxa básica de empréstimo em 0,5 ponto, para uma faixa entre 0,75% e 1%, na maior dose de aperto em 22 anos.

O chefe da autoridade monetária, Jerome Powell, sinalizou que ajustes de tamanho semelhante são prováveis nas próximas duas reuniões, em junho e julho, já que o Fed pretende levar os juros "rapidamente" para um nível neutro de cerca de 2,5% e, se necessário, além.

Falas de autoridades desde então mostram que a abordagem de Powell tem amplo apoio.

"Quando chegarmos à faixa da taxa neutra, podemos determinar se a inflação permanece num nível que nos obriga a frear a economia ou não", disse o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, a uma câmara de comércio local de North East, em Maryland.

"Faremos o que precisamos fazer."