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Aplicativos de entrega de supermercados passam por reestruturação após disparada durante pandemia

08/06/2022 18h04

Por Toby Sterling e Nadine Schimroszik

AMSTERDÃ (Reuters) - O setor de entrega de produtos de supermercados está enfrentando um período doloroso de ajuste, após impulso no auge da pandemia, e investidores dizem que provavelmente apenas um punhado de empresas sobreviverá em cada mercado.

Durante a pandemia, os investidores injetaram bilhões em empresas de "comércio rápido" que comprometeram-se a entregar produtos de supermercados em minutos.

Mas com o relaxamento das restrições sanitárias, aumento crescente dos custos de vida e lucratividade ainda nebulosa, a injeção de capital diminuiu e as empresas passaram da expansão para a redução de gastos.

A Getir, da Turquia, a alemã Gorillas e a britânica Zapp disseram nas últimas semanas que estão cortando funcionários, enquanto a alemã Flink também diminuiu as contratações.

A Jiffy, de Londres, disse no mês passado que estava encerrando as operações de entrega, com a Zapp, que arrecadou 200 milhões de dólares em janeiro, assumindo seus clientes.

Larry Illg, executivo-chefe de negócios online de alimentos da investidora de tecnologia Prosus NV, que tem uma participação de 9,8% na Flink, disse que os abalos acabariam por beneficiar as companhias sobreviventes.

"Estamos vendo lançamentos mais lentos de novas 'dark stores', níveis mais baixos de investimento em marketing e descontos reduzidos da concorrência", disse ele.

Um impulso de grandes e conhecidas empresas de entrega de refeições como Deliveroo, Just Eat Takeaway e Uber Eats no mercado já está acontecendo, à medida que essas empresas fecham negócios de entrega com lojas de conveniência e redes de supermercados.

Alguns estão unindo forças com empresas de entrega existentes. A norte-americana DoorDash fechou na semana passada a aquisição por 3,5 bilhões de dólares da finlandesa Wolt, uma empresa de entrega de refeições e comércio rápido.

A alemã Delivery Hero também acertou a tomada de controle da espanhola Glovo. Ambos têm operações rápidas em mercados.

Outras empresas de entrega se fortaleceram por meio de aquisições dentro do setor, como a Flink, que arrecadou 750 milhões de dólares com uma avaliação de 2,85 bilhões de dólares em dezembro, comprando a francesa Cajoo por uma quantia não revelada no mês passado.

A Flink não comentou, mas dois investidores disseram à Reuters que a empresa não planeja entrar em outros novos mercados.

O presidente-executivo da Gorillas, Kagan Sumer, disse à Reuters que a empresa está priorizando a lucratividade. A Gorillas cortará 300 funcionários do escritório e está "revendo" suas operações na Itália, Espanha, Dinamarca e Bélgica.

A Getir está cortando 14% da equipe, mas disse que não sairá de nenhum dos nove países onde opera. O grupo arrecadou 768 milhões de dólares em uma avaliação de 12 bilhões de dólares em março, com financiadores como Sequoia Capital e Tiger Global.

(Por Toby Sterling)