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Dólar tem leve alta e se mantém acima de resistência técnica com exterior e incerteza local

08/06/2022 17h14

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar se acomodou no fechamento das operações do mercado à vista nesta quarta-feira, depois da forte alta da véspera, mas ainda teve ganho moderado e suficiente para marcar nova máxima em quase três semanas, em dia de pouco apetite por risco nos mercados externos.

O dólar interbancário subiu 0,34%, a 4,8906 reais na venda. A variação no fechamento foi contida, depois de oscilações mais amplas mais cedo. Na máxima, a cotação apreciou 0,72%, a 4,909 reais, e na mínima caiu 0,54%, a 4,8478 reais.

Com isso, manteve-se acima de sua média móvel de 50 dias (atualmente em 4,8485 reais), linha cruzada na véspera com o rali dos preços.

Na terça, o dólar saltou 1,63%, mas chegou a disparar cerca de 2,9% no pico do dia, quando superou com folga 4,90 reais, impulsionado por temores de nova fragilização das contas públicas.

O noticiário sobre meios de baixar a inflação via cortes de impostos e limitações de alíquotas prosseguiu e manteve investidores com um pé atrás.

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), relator no Senado do projeto que impõe um teto para o ICMS sobre combustíveis e energia elétrica, disse que seu parecer mantém a estrutura principal do projeto conforme aprovado pela Câmara, mas faz algumas modificações em relação à compensação prevista para perdas de receita dos Estados.

Na noite de terça, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), confirmou a previsão de votação na próxima segunda-feira de projeto e possivelmente também de PECs a serem apresentadas que tratam de tributação de etanol, diesel e GLP, além de compensações a isenção tributária dos Estados.

O dinheiro para ressarcir Estados que zerarem o ICMS sobre alguns setores ficaria fora do teto de gastos pela proposta do governo, e o Citi avaliou como "muito provável" outro ajuste no instrumento, visto ainda pelo mercado como uma espécie de âncora fiscal.

Em relatório sobre implicações fiscais de governos dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto para presidente --Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL)--, o banco norte-americano disse ver aumento do gasto público independentemente de quem vencer, mas pontua que um cenário com o petista "parece carregar mais incerteza" devido a dúvidas sobre a coalizão de Lula no Congresso.

COMPRA DE REAL

Em carta de gestão de maio, o Verde FIC FIM, um dos maiores hedge funds do país e sob comando do conhecido gestor Luis Stuhlberger, apontou que "reiteradas ameaças ao combalido arcabouço fiscal" do país por medidas eleitoreiras colocam pressão nos prêmios de risco. Ainda assim, disse ter iniciado alocação comprada em real via mercado de opções, citando o "enorme diferencial de taxas de juros" a favor da renda fixa brasileira.

Quem também passou a recomendar posições compradas em real foi o Goldman Sachs, mas contra o rand sul-africano.

O Goldman, que classifica o real como uma "moeda de petróleo", notou que a divisa brasileira tem tido performance mais fraca nas últimas semanas. Porém, sendo uma "moeda de petróleo" e com a leitura de que o barril da commodity tem "significativa e sustentada alta por vir", estrategistas do banco norte-americano enxergam espaço para recuperação da taxa de câmbio contra seu par sul-africano.

Desde a máxima de 31 de maio o real perde 6% frente ao rand

Na quinta, o destaque ficará com a decisão de política monetária do banco central da zona do euro, que antecede a divulgação na sexta de dados de inflação nos EUA. Também na quinta o IBGE informa o IPCA de maio, que pode mexer com as expectativas em torno da política monetária brasileira.

O Banco Central anuncia na próxima quarta-feira sua decisão acerca da Selic, horas depois de o BC dos EUA (o Fed) provavelmente elevar mais uma vez os juros por lá.