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BCE não deve visar níveis de spread para países endividados, diz Kazaks

20/06/2022 08h39

Por Francesco Canepa

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu não deveria visar níveis específicos de custos de empréstimo para os governos da zona do euro, mas simplesmente garantir que suas taxas de juros sejam repassadas para todos os 19 países que utilizam o euro, disse o membro do BCE Martins Kazaks à Reuters.

Na entrevista, o presidente do banco central da Letônia também defendeu o aumento dos juros pelo BCE em 0,75 ponto percentual, mas disse que os investidores não devem "se entusiasmar" com suas apostas em novos aumentos depois disso.

Os custos de financiamento aumentaram desde que o BCE disse neste mês que aumentaria os juro duas vezes neste meio de ano e deixaria de aumentar o estoque de títulos que comprou como parte ao longo de sete anos para ajudar a estimular a atividade econômica.

Dias depois, o BCE anunciou planos para uma nova ferramenta de intervenção no mercado após a diferença nos rendimentos dos títulos emitidos pela endividada Itália e pela Alemanha ter aumentado para níveis que o presidente do Banco da Itália disse serem injustificadamente altos.

Os rendimentos dos títulos indicam quanto um governo pode ter que pagar para vender dívida nova.

Kazaks disse que não cabe ao banco central determinar quanto um país paga para pedir emprestado ou para consertar seus problemas estruturais.

"No BCE não visamos níveis de spread específicos", disse Kazaks à Reuters. "Mas tentamos assegurar uma transmissão adequada."

O BCE disse na semana passada que vai combater a "fragmentação" entre os países da zona do euro com a nova ferramenta, que provavelmente incluirá novas compras de títulos.

Kazaks admitiu que o recente ampliamento dos spreads é difícil de conciliar com os fundamentos econômicos.

"O aumento tem sido muito rápido e é improvável que os fundamentos tenham mudado tão rapidamente", disse ele.

Kazaks disse que defende aumentos dos juros pelo BCE em 0,25 ponto percentual em julho e 0,50 ponto em setembro para combater um aumento da inflação, que tem sido mais rápido do que o esperado.